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De Jong, da Philips: a revolução da tecnologia na saúde

Depois de comandar a operação brasileira do conglomerado holandês Philips, o holandês Henk De Jong, voltou à terra natal para assumir como Diretor de Mercados Internacionais e membro do Comitê Executivo da Philips. Sua função é viajar o mundo e pesquisar melhorias para o setor de saúde que podem ser aplicados na empresa, que deixou de ser uma das marcas referência em áudio e vídeo para se dedicar à eficiência hospitalar.

Em passagem pelo Brasil, De Jong falou com exclusividade a EXAME sobre a guinada da Philips e os planos da empresa para o país e a formação de parcerias com o poder público para otimizar também a saúde pública. “Particularmente, eu gostaria que fosse um pouquinho mais rápida a burocracia para fechar contratos assim, mas entendo a complexidade do processo”, diz.

Há quantos anos a Philips mudou o foco?

Estamos há quase 100 anos na área de saúde, mas nos últimos cinco ou seis anos decidimos colocar a questão como central no portfólio da Philips, diminuindo, mas não saindo do varejo. Houve a saída das televisões, do áudio e vídeo, mas mantivemos as soluções em saúde, alguns eletroeletrônicos e iluminação. Priorizamos o dinheiro de investimento para a área de saúde. Passamos a entender as soluções em saúde como porta para viver bem e os eletrodomésticos como ajuda na prevenção, como melhorar a alimentação. Também desenvolvemos o mercado de tratamento em casa, o chamado home care, para diminuir custos com internação. Estamos também atentos em soluções em software de saúde para melhor acompanhamento do paciente. É uma cadeia completa na área.

Como está o cenário de saúde no Brasil para aplicação de inovações como essas?

De modo geral, houve nos últimos anos um crescimento da área de saúde, aproveitando esse mercado com tantas novidades de tecnologia e meio de atendimento. O que poderia melhorar junto é a parte de saúde pública. Fizemos uma parceria público-privada com estado da Bahia, em 2015, onde estamos levando nossas tecnologias e soluções, junto com parceiros, para hospitais da rede estadual. São 11 unidades no estado, em um acordo que funciona muito bem e prevê investimento de 100 milhões de reais no setor em 11 anos e meio de contrato. Serão instalados 42 aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos, mamógrafos e equipamentos de raio-x, além de otimizar agendamento de consultas e adaptação das unidades para os novos serviços.

Há algum prognóstico de que parcerias como essa venham a se expandir para outros lugares? Como está a conversa da Philips com o poder público?

Ainda não. Nós adoraríamos convidar outros governos para pensar em uma forma de aplicar nossas soluções. Se houver desconfiança, o melhor é perguntar para o Governo da Bahia se estão satisfeitos com o trabalho. Temos uma só missão: precisamos atender com qualidade. Fazer uma parceria com o governo é bom para todos os lados, pois vai ser bom para estado e, da nossa parte, conseguiremos expandir e ter um modelo estruturado não somente no primeiro ano, mas no terceiro, no sexto, no nono e no último ano da PPP. Por termos que trazer qualidade durante o tempo de contrato, podemos medir nossa eficácia e melhorar cada vez mais. E há muitos casos em que uma máquina pública instalada poderia ser utilizada muito melhor com a ajuda de uma parceria, que traz esse conhecimento, para ganhar produtividade nos serviços e soluções sem tanto investimento.

O que falta para negociações do tipo avançarem?

Nós já vemos interesse de alguns agentes públicos. Particularmente, eu gostaria que fosse um pouquinho mais rápida a burocracia para fechar contratos assim, mas entendo a complexidade do processo, que deve ser justo e muito aberto para a fiscalização social. Mas tomara que tenhamos mais no futuro

O senhor assumiu um cargo global, depois de muitos anos como presidente no Brasil. Com a nova experiência no exterior?

O mais importante dessa nova posição na Philips é que posso pesquisar e olhar todas as soluções de saúde no mundo todo, um cenário que vai além de Estados Unidos e da China. Alguns pontos são muito importantes: cada vez mais a saúde vai ser industrializada, buscando menos custo. Segundo, será necessários buscar integrar o papel do software e do hardware, trabalhando juntos para trazer eficiência. Terceiro, baixar os custos para que o home care seja possível. Dou um exemplo simples para explicar esses passos. Um paciente, quando sai da UTI, vai para o quarto e precisa ter o banco de dados mais completo possível para uma boa recuperação. Ele responde mais rápido ao tratamento e pode voltar para casa. Em casa, ele pode ser acompanhado a contento pelo médico com os softwares de home care, livrando um leito no hospital e se recuperando de forma mais barata. Para isso, contudo, todas as áreas de saúde pública, privada e de seguros precisam trabalhar juntos para uma melhor produtividade. Soma-se a isso o atendimento primário, que, se bem feito, reduz a incidência de doenças evitáveis na população, também livrando os centros de atendimento. O Brasil ainda está distante dessa realidade. A vantagem é que se comparar com a expectativa de vida da Ásia, que tem idade mais alta e já precisa de melhorias de atendimento, o Brasil e países da América Latina têm mais tempo de adaptação. As PPPs são uma ótima saída nesse sentido, por isso insistimos.

Além de tudo, passamos por momentos de crise em que a economia restringe recursos para inovação e pensar em uma saúde integrada. Fica de fato mais difícil?

A Philips, em específico, é uma empresa que gosta muito de inovar. Deixamos 7% do faturamento ou 1,7 bilhão de dólares para inovações e temos um dever para continuar com isso. O clima na América Latina agora está melhorando. Os juros estão baixando, a situação em países como Argentina, Chile e Peru estão melhorando conforme sobem os preços de algumas commodities e, consequentemente, está aumentando a prioridade do governo com a saúde. Alguns hospitais e clínicas do setor privado que não investiram nesse tempo estão voltando. É uma época muito boa para América Latina e nós nunca paramos de investir em tecnologia. No Brasil, temos mais de 900 clientes e nossos engenheiros desenvolveram um software que compramos em 2010, chamado Tasy, que estamos exportando para Oriente Médio e alguns países da Europa. Ele oferece a hospitais gerais e especializados, clínicas, operadoras de planos de saúde e bancos de sangue a possibilidade de conectividade, melhorando o diagnóstico do paciente. Bons ventos estão chegando.

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