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Como tornar sua instituição de saúde mais eficiente?

“Se quisermos nos livrar da ineficiência e melhorar o resultado dos nossos sistemas, precisamos nos concentrar em como cuidar e melhorar a assistência prestada.”

É assim que Ezekiel Emanuel, vice-reitor de Iniciativas Globais e presidente do Departamento de Ética Médica e Política de Saúde da Universidade da Pensilvânia, responderia a essa pergunta. Contrariando o que geralmente pensa o mercado em relação ao tópico e provando que qualidade não significa necessariamente mais gastos, o estudioso afirma que o maior problema está em como os sistemas de Saúde se estruturam para entregar o cuidado.

Pensando nisso, Emanuel pontua dois fatores que demandam atenção e diferenciação: cuidado ineficiente e desnecessário. O primeiro é caracterizado pelo cuidado que custa mais para as instituições e leva ao mesmo resultado clínico que outros tratamentos mais acessíveis financeiramente falando. O segundo, por outro lado, nada acrescenta ao tratamento e simplesmente gera mais despesas.

Para elucidar os conceitos, o estudioso cita como exemplo o caso dos Estados Unidos e o excesso de estruturas de radioterapia de prótons (em inglês, proton beam therapy), que custam cerca de 100 milhões de dólares cada e só tiveram efetividade comprovada no tratamento de tumores cerebrais em crianças e tumores da medula espinhal. “Temos uma população de cerca de 325 milhões e menos de 3.000 crianças precisam da radioterapia de prótons. No entanto, temos 22 dessas estruturas. Para atender a demanda, talvez precisaríamos somente de três”, comenta.

Os problemas são gerais: segundo dados da Academia Nacional de Medicina dos Estados Unidos (antigo Institute of Medicine), a estimativa é de que 30% de todos os gastos com Saúde nos EUA sejam desperdiçados. Por isso, levando em consideração não somente a realidade estadunidense, como também a de outros países, Emanuel lista oito tendências futuras para o cuidado baseado em alto valor:

  • • Transformações conduzidas pelo setor privado, as quais se baseiam nas políticas implementadas pelo governo;
  • • Mudanças nas formas de pagamento, saindo do Fee-for-service para o Fee-for-value;
  • • Atendimento VIP para pacientes com condições crônicas, os quais não precisam ser atendidos em hospitais e correspondem a 86% de todos os gastos com Saúde dos EUA;
  • • Maior uso de profissionais não especializados, uma vez que não é preciso ser enfermeiro ou médico, por exemplo, para realizar algumas atividades;
  • • Desinstitucionalização do atendimento, deslocando o cuidado para fora dos hospitais;
  • • Medição de desempenho de médicos e outros provedores para verificar a qualidade do atendimento;
  • • Incorporação do cuidado com saúde comportamental na atenção regular, sobretudo sabendo que pacientes com doenças crônicas e transtornos mentais demandam mais dos serviços de saúde;
  • • Preços extremamente altos de medicamentos, com os quais será preciso descobrir como lidar.

Por mais eficiência

A fim de eliminar o cuidado ineficiente e desnecessário, Emanuel cita não somente os pagamentos com base no valor em vez do serviço, mas também a implementação da metodologia Lean – para fornecer assistência de alta qualidade, com o menor custo e tempo possíveis, por meio da eliminação de desperdícios. Além disso, também a mudança de alguns níveis de cuidado, como oncologia, radiologia e reabilitação, dos hospitais para centros ambulatoriais e até mesmo para o homecare. “Várias práticas podem ser adotadas para facilitar essa transição, como a triagem realizada por telefone ou internet, operadoras que ofereçam atendimento 24 horas por dia durante os 7 dias da semana e o fornecimento de serviços hospitalares em casa. Além disso, quanto mais a telemedicina se desenvolver, mais fácil será essa transição”, reitera o vice-reitor. “Esse tipo de mudança não acontece do dia para a noite. Segundo as estatísticas, elas levam em média quatro anos. Por isso, não devemos ser impacientes, nem complacentes, e precisamos montar um plano para adaptar as estruturas para esse futuro”, finaliza Emanuel.

Para Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-Libanês, o Brasil caminha muito rapidamente com algumas medidas operacionais, como o Lean e a revisão de processos, e principalmente com os estímulos econômicos para diminuir os gastos desnecessários, resultando na mudança do modelo de pagamento. “A crise é uma oportunidade, e a que passamos nesses últimos anos levou o sistema de Saúde brasileiro a buscar alternativas para sua sustentabilidade. Vemos uma transformação muito rápida no país, como está acontecendo nos Estados Unidos, e acredito que esses benefícios logo aparecerão para todos nós”, reflete Chapchap.

O diretor-geral ainda lança luz sobre como os sistemas públicos e privados do Brasil precisam trabalhar juntos para promover a sustentabilidade do setor. Apesar de haver diferenças na capacidade de financiamento entre ambos, “à medida que os serviços prestados se tornarem mais eficientes, teremos maior capacidade de pagamento do sistema público, no qual também existem muitos desperdícios, e vamos usar melhor o privado, que montou uma infraestrutura enorme para um atendimento que pode estar superdimensionado. Com isso, acredito que haverá mais convergências entre o público e o privado”, finaliza.

Emanuel e Chapchap participaram da sessão plenária “Entregando cuidados de saúde do futuro: As 12 práticas transformadoras de organizações médicas altamente eficazes”, realizada durante a 6ª edição do Congresso Nacional de Hospitais Privados (Conahp), organizado pela Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), que aconteceu entre os dias 7 e 9 de novembro, com ingressos esgotados na capital paulista. Com tema “Eficiência: como o combate ao desperdício irá transformar o sistema de saúde” no centro das discussões, os debates, palestras e mesas-redondas do evento contaram não somente com representantes das principais instituições de saúde do país, mas também com especialistas e autoridades nacionais e internacionais.

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