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Desafio da longevidade: a depressão

O Dia Mundial de Combate ao Suicídio (10/9) é um alerta para a importância de reconhecer os sinais de depressão no idoso – considerado o principal fator de risco entre aqueles que intentam contra a própria vida.

Desafio da longevidadeCom o aumento da expectativa de vida, além do enfrentamento de doenças ligadas à longevidade e preocupações com a qualidade de vida dos idosos, a idade é um fator alarmante de risco para o suicídio. Reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um problema de saúde pública, o suicídio tem os maiores índices de ocorrência em países de baixa e média renda, representando 75% dos aproximadamente 800 mil registros de pessoas que tiram a própria vida anualmente, conforme indica o primeiro – e até agora único - Relatório Global para Prevenção do Suicídio da OMS, de 2014. 

O levantamento mostra ainda que as taxas mais altas são entre pessoas acima dos 65-70 anos ou mais e, em segundo lugar, entre os 30 a 49 anos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), em geral, o grupo de risco responsável por 80% dos casos nesta faixa etária corresponde a pessoas acima dos 65 anos e do sexo masculino. 

Segundo o médico geriatra da SBGG, Ulisses Cunha, a causa mais frequente é a depressão não diagnosticada, não tratada ou inadequadamente conduzida. Ele aponta que aproximadamente 70% dos casos de suicídio nesta fase da vida pode ser atribuída a depressão, usualmente, a primeira pela qual estas pessoas passam. “O risco de suicídio de qualquer pessoa deprimida é em torno de 15%”, pontua Cunha. O geriatra esclarece ainda que psicoses, demências e abuso de drogas como álcool, também são apontadas como causas deste tipo de morte. 

No idoso deprimido, as principais situações de risco que merecem ser observadas e acompanhadas são aquelas relacionadas a perdas, como o aniversário de perda - do esposo/esposa; aniversário de casamento e etc. 

Outro dado alarmante apontado por Cunha é que em termos de tentativas bem sucedidas – no idoso é em torno de 100%, enquanto em pessoas de outras faixas etárias de 10 para um. “Quando o idoso não é capaz de concretizar o ato suicida suspeita-se de déficit cognitivo ou de alguma incoordenação motora”, avalia. 

Cunha ressalta também que em geral pessoas idosas propensas a cometer um ato contra a própria vida dão pistas verbais ou de comportamento (nem sempre claramente). “É importante observar que aproximadamente 75% dos que se suicidaram fizeram uma consulta clínica até um mês antes do suicídio – e 30% a 50% uma consulta clínica até uma semana antes”, revela ele, com base em dados consolidados na literatura internacional e nacional. “Acreditamos que esta procura por um médico seja uma forma de pedir ajuda nem sempre compreendida pelo profissional de saúde”, relata.

Outra forma de intentar contra a vida é o “suicídio passivo-crônico” – forma comum em medicina de idosos, ou seja, um suicídio lento, não claramente manifesto. Cunha cita como exemplos a recusa alimentar, em seguir prescrições, retardo em tratamentos médicos e, até mesmo, provocar quedas propositais.  

A forma mais eficaz de evitar suicídio secundário a depressão é o diagnóstico precoce e correto do distúrbio acompanhado de um tratamento eficaz. O geriatra reforça ainda que nem todo caso de depressão incorre no ato de tirar a vida.

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