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Brasil se torna alvo de empresas internacionais

Área de equipamentos médicos e hospitalares atrai companhias estrangeiras; em maio, mais de 500 empresas do setor compareceram à Feira Hospitalar para expor seus produtos e fazer negócios

empresasinterEmpresas estrangeiras de equipamentos médicos e hospitalares voltam cada vez mais seus olhares para o mercado brasileiro.O Brasil é considerado como um dos mercados de saúde mais lucrativos na América Latina, com classificação consistente entre os cinco principais destinos mundiais de turismo médico. O país atrai uma variedade de turistas médicos que vêm tirar proveito da indústria de cirurgia estética bem-sucedida e renomada mundialmente. A crescente demanda por serviços de saúde privados ajudou a alimentar um boom no setor, que continua a ser dominado por players locais e testemunhou recentemente uma série de fusões, uma vez muitos deles procuram capitalizar sobre maiores demandas e consolidar suas posições.

De acordo com relatório da ReportLinker, empresa internacional de pesquisa de marketing, “Panorama do Mercado de Saúde Brasileiro em 2020”, com melhores padrões de vida, as despesas de saúde no país têm aumentado continuamente, o que está impulsionando o setor de saúde.

As despesas com saúde no país estão previstas para crescer em uma CAGR (Compound Annual Growth Rather, que em português pode ser lido como “taxa de crescimento anual”) de cerca de 5,8% entre 2016 e 2020. Os principais fatores por trás do aumento das despesas de saúde incluem a prevalência de várias doenças no país, como a hipertensão. Outras principais doenças prevalentes abordadas no relatório incluem câncer, tuberculose, obesidade e diabetes.

De acordo com as descobertas do estudo, as futuras perspectivas do mercado brasileiro de saúde e a indústria de TI (Tecnologia da Informação) são bastante otimistas, já que o segmento tecnológico testemunhou fusões e aquisições significativas em 2015. As principais empresas de TI para saúde em todo o mundo também estão olhando para o Brasil como um destino ideal para a expansão de seus negócios. O Brasil aprovou uma nova lei permitindo que empresas estrangeiras possam investir capital em hospitais privados pela primeira vez – um movimento esperado para satisfazer os ansiosos pela capitalização em um mercado de saúde privado de alta demanda e trazer o financiamento tão necessário para o setor. Investidores de diversos países estão ansiosos para injetar recursos no setor de saúde brasileiro.

Empresas estrangeiras de equipamentos médicos e hospitalares voltam cada vez mais seus olhares para o mercado brasileiro. O preço competitivo e o crescente investimento de hospitais em soluções que otimizam tempo e facilitam a gestão da rotina de centros de saúde são os principais argumentos utilizados por empresas internacionais que vêm ao país para fazer negócios.

A alteração da Lei 8.080/1990 em janeiro do ano passado passou a permitir que empresas de capital estrangeiro participarem direta ou indiretamente na assistência à saúde e, inclusive, no controle de empresas privadas. O texto diz ainda que podem também atuar na área hospitalar, clínica geral e especializada, serviços de atendimento de empresas, laboratórios e atendimento filantrópico, aumentando ainda mais o interesse no Brasil como mercado-alvo.

Segundo o presidente da Abimed (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde), Carlos Goulart, o grande mercado interno tem demanda ainda não atendida na área da Saúde que, aliada ao aumento das chamadas doenças crônicas não transmissíveis, como câncer, diabetes, hipertensão e obesidade, torna o mercado brasileiro ainda mais interessante. “O Brasil passa por uma situação transitória de dificuldades políticas e econômicas que influenciam a cotação do dólar e diminuem a arrecadação, impactando o custeio da saúde. Porém, apesar desse cenário adverso, o país tem características estruturais que o tornam potencialmente atrativo e abrem inúmeras oportunidades de investimento no setor de produtos para saúde”, afirma.

A Agfa HealthCare, empresa belga fornecedora de diagnóstico por imagem e soluções de TI ao redor do mundo, está no Brasil há 20 anos e percebe um mercado amplo na área de digitalização de imagens e integração de sistemas em hospitais. “Nós enxergamos o país como prioridade no planejamento estratégico. Nos últimos anos, inclusive, houve a aquisição de uma empresa brasileira para complementar o portfólio de produtos disponíveis no mercado”, diz o presidente da Agfa HealthCare para a América Latina, Roberto Ferrarini.

A multinacional japonesa Konica Minolta Medical Imaging já lançou cinco produtos somente este ano no país. “A Konica Minolta tem se transformado de uma importadora de soluções de imagem em uma empresa brasileira provedora de soluções completas por meio de investimentos, contratações, parcerias locais e aquisições”, afirma o presidente e CEO da companhia, David Widmann.

A empresa ressalta que, com o aumento da população para mais de 200 milhões de pessoas e o envelhecimento dela nos últimos anos, são necessários avanços técnicos significativos e ganhos de eficiência e custo. “A empresa não para de crescer, indo na contramão do cenário atual, o que certamente nos permitirá continuar investindo e expandindo a operação”, completa o gerente geral da unidade de negócios da empresa no Brasil, Daniel Martins.

Ambas estiveram na Hospitalar 2016 e consideram a feira uma ótima oportunidade de expandir contatos e criar novas oportunidades de negócios. “Tivemos a chance de dialogar com muitos novos clientes e também conseguimos manter o relacionamento com nossos compradores atuais, apresentando lançamentos e atualizando-os sobre nosso portfólio. Tudo isso fez nossa participação ser muito satisfatória”, disse Ferrarini.


Oportunidades de negócios

Segundo levantamento realizado pela Abimed, a estimativa de faturamento para produtos do segmento foi de US$ 10 bilhões no ano passado. Os números das exportações de equipamentos e itens da área são igualmente otimistas: até maio deste ano somaram US$ 277.524.090, de acordo com levantamento mensal realizado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios).

Prova dessa procura pelo Brasil como mercado a ser explorado é o expressivo número de empresas estrangeiras que participaram da Feira Hospitalar. Das 1.250 empresas expositoras, 507 se deslocaram de 38 países para mostrar seus produtos e inovações, realizar negócios e conhecer o mercado brasileiro – o número representa mais de 40% do total de empresas participantes do evento. “A presença de empresas e de visitantes internacionais confirma que os empresários e compradores de todo o mundo consideram a feira um evento indispensável na agenda mundial de saúde. O evento funciona como uma plataforma de negócios que fomenta as relações entre a indústria fornecedora e diretores de hospitais, clínicas e profissionais de saúde. É o grande ponto de encontro anual do setor hospitalar nas Américas”, destacou Mônica Araújo, diretora do evento.  

A quantidade de empresas internacionais que estrearam no evento também é significativa: 205 participaram pela primeira vez na edição 2016. É o caso da TOA Corporation, empresa japonesa que fabrica equipamentos profissionais nas áreas de áudio e segurança. “No ano passado viemos visitar e decidimos fazer parte porque achamos muito interessante essa gama de empresas e produtos que são expostos aqui. Durante os quatro dias, pudemos fazer contatos bastante efetivos com hospitais e clientes finais que nos contataram depois de visitar nosso espaço para fechar negócio”, disse o gerente de negócios Francisco Pereira.

O diretor da Histo-Line Laboratories, Fabrizio Illuminati, viu no evento uma oportunidade de expandir os negócios para o Brasil e toda a América Latina: “A nossa participação é como uma porta de entrada no mercado brasileiro. Não temos muitos negócios com a América Latina, e foi uma oportunidade para fazer esse primeiro contato com os empresários e aumentar nossas projeções na região”, disse ele, ao afirmar que o Brasil é um mercado em expansão e que tem atraído a atenção de empresas que visam negócios em “médio e longo prazo”.

Foi em 2016 a terceira participação da Paramount Bed na Feira Hospitalar por meio da sua filial no Brasil. A especialista de produtos da empresa, Juliana Nery Ferreira, ressalta que a todos ficaram “bem satisfeitos com os resultados e com diversos contatos e demonstrações pós-feira”. “A Paramount Bed enxerga o Brasil como um mercado muito vantajoso para negócios na área da saúde. Estamos vivendo um momento delicado no país, todavia isso não impediu que os negócios fossem realizados. Estamos com diversos contatos pelo Brasil todo e com boas chances de fechar negócios”, complementou.

O gerente de projetos do pavilhão norte-americano, Ryan Klemm, acredita que um dos principais motivos que trouxeram as 51 empresas da região para expor no país foi a procura em manter contatos duradouros com o mercado brasileiro, já que a rede pública e a privada daqui têm grande poder de compra. “Os hospitais e as clínicas particulares parecem continuar expandindo mesmo com a desaceleração econômica e os contratempos políticos. O mercado brasileiro é, sem dúvida, muito atraente para os exportadores canadenses e americanos. É o país com a maior produção de equipamentos médicos na América do Sul, além de ser líder em importação”, afirmou dizendo que os resultados “foram muito positivos”.


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