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Clínica de Administradores debate a gestão de saúde no Brasil

Encontro promovido pela FBAH reuniu principais líderes da cadeia da saúde na busca por melhores soluções para os desafios que estão sendo enfrentados pelo setor

Encontro promovido pela FBAH reuniu principais líderes da cadeia da saúde na busca por melhores soluções para os desafios que estão sendo enfrentados pelo setor

Apostando na troca de conhecimento como fundamento para melhorias efetivas na gestão de saúde brasileira, a FBAH (Federação Brasileira de Administradores Hospitalares) realizou, recentemente, a “Clínica de Administradores: Análise, Exames e Discussão de Casos”.

Reunidos em um dos auditórios do Expo Center Norte, em São Paulo, durante a realização da Hospitalar 2018, os principais líderes e formadores de opinião da cadeia de saúde debateram temas altamente relevantes à gestão. Dentre os assuntos abordados, destaque para os desafios do envelhecimento, da gestão de pessoas, e da saúde digital.

Ao longo de dois dias, a Federação contou com a parceria da BP (Beneficência Portuguesa de São Paulo), do Hospital das Clínicas-FMUSP, e dos hospitais São Cristóvão e Sírio-Libanês para trazer, à tona, questões que têm interferência direta na rotina dos administradores hospitalares e que geram consequências aos pacientes. A programação contou com clínicas de diálogos, conferências e apresentações de caso.

Abrindo o evento, a clínica de diálogos “Modelo Assistencial Corporativo” foi moderada por Teresinha Covas Lisboa, consultora na área de Gestão em Saúde pela TCL Consultoria, e recebeu Fernando Andreatta Torelly, diretor executivo do Hospital Sírio-Libanês; Leonardo Piovesan Mendonça, do Centro de Atenção à Saúde e Segurança do Hospital Alemão Oswaldo Cruz; e Maria Alice Rocha, superintendente de Pessoas, Comunicação e Sustentabilidade da BP.

Para Torelly, o Brasil precisa investir em uma mudança cultural que faça com que todo o sistema passe a enfocar a saúde, e não a doença. “Nossa geração conseguiu desagradar todo mundo e, por isso, precisamos de alternativas”, comentou sobre como é comum todas as pontas da cadeia de saúde serem alvo de reclamações. Os médicos reclamam da baixa remuneração, os pacientes da qualidade do atendimento, e as operadoras da alta sinistralidade.

“Devemos buscar um novo paradigma para a saúde corporativa brasileira e podemos encontrar uma base no tão criticado SUS e em suas premissas de atenção primária, em seu programa de saúde da família – que muitas pessoas não valorizam, mas que em qualquer lugar do mundo é considerado como principal pilar do sistema”, complementou enfatizando que “se queremos uma sociedade com menos desperdício, as instituições de saúde têm obrigação de apresentar modelos diferentes daqueles que já vêm sendo utilizados”.  

Como fortalecimento ao discurso de Torelly sobre direcionar esforços à saúde, e não à doença, Mendonça apresentou a evolução do conceito triple aim para o quadruple aim e falou sobre um programa de bem-estar utilizado no Hospital Alemão Oswaldo Cruz que conseguiu aumentar em 40% a prática de atividade física moderada entre os trabalhadores, ampliando o consumo de cereais em 158% e reduzindo o tabagismo em 46%.

Na BP há, também, um programa similar que enfatiza a saúde física, emocional, intelectual e financeira dos colaboradores. Explicado por Maria Alice, o programa conseguiu reduzir de forma considerável os custos da instituição. “Em 2015 nossa sinistralidade era assustadora então passamos a cuidar da saúde dos nossos colaboradores. Acolher e orientar é uma das nossas premissas. E isso fez uma diferença danada. Conseguimos crescer em termos de receita e não tenho dúvidas de que colaboramos, também, com nossos índices de engajamento”, completou.

Migrando do modelo de saúde corporativa para os desafios enfrentados por nações que estão encarando um envelhecimento populacional, Sérgio Fernandes Rodrigues Zanetta, mestre em medicina preventiva com especialização em gestão da atenção à saúde e em administração de serviços de saúde do setor público, moderou um rico debate sobre atenção e cuidado. “A população mudou. Com a transição demográfica e a inversão do perfil populacional, o perfil epidemiológico também mudou. E tudo isso nos lança um desafio”, comentou Zanetta.

Questionando como o mundo está se preparando para encarar essa nova realidade, Ricardo Tavares, médico paliativista do HCFMUSP, iniciou uma abordagem sobre a efetividade dos cuidados no fim da vida. “O que a OMS diz é que os cuidados paliativos devem ser contínuos e multidisciplinares”, esclareceu ao enfatizar que se trata de uma situação na qual é preciso lidar com o sofrimento e que, paralelamente à isso, é preciso evitar o desperdício de recursos, tão comum nesse segmento da medicina. “Observamos que 90% das pessoas da UTI tiveram todos os exames de laboratório colhidos no dia da morte, sendo que 15% dessas pessoas ainda fez ultrassonografia ou tomografia neste mesmo dia. O diagnóstico no fim da vida precisa ser aprimorado no conhecimento técnico e médico”, pontuou.

Para Fábio Leonel, que também atua no HCFMUSP, não estamos preparados para atender os idosos em nossos ambientes hospitalares. “Precisamos melhorar a assistência voltada ao idoso, que tem necessidades totalmente diferentes das de um paciente jovem”, disse lembrando ser necessário trabalharmos os conceitos de cohousing, centros-dia, hospitais de transição e outros locais para quem merece cuidados especiais, além de prover melhorias significativas ao atual atendimento domiciliar.

Para encerrar o debate, Lilian Schafirovits Morillo, médica geriatra do Ambulatório de Demências Graves do HCFMUSP, apresentou os conceitos de mistanasia e etarismo, dando ênfase às preocupações sociais integradas ao atendimento de saúde do paciente idoso. Para ela, é preciso sim trabalhar a ideia de cuidados paliativos, porém não podemos abrir mão da garantia do melhor cuidado até o fim da vida. “Muito me preocupa a quantidade de idosos que necessitam de intervenções médicas e que não as recebem por preconceito, seja por idade ou por classe social. Existem idosos recebendo tratamentos desnecessários, mas também existem idosos que precisariam desses recursos e não os recebem”, finalizou.

“Desafios da Gestão de Pessoas: que futuro construir” e “Saúde 4.0 renovando desafios e revisando estratégias” também foram temas de outras duas clínicas de diálogos realizadas durante o evento.

Conferências – As conferências da Clínica de Administradores abordaram temas diversos. Gonzalo Vecina, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP, ex-CEO do Hospital Sírio-Libanês, ex-Secretário Municipal de Saúde de São Paulo e primeiro Presidente da ANVISA, apresentou “Os desafios do administrador hospitalar e do gestor da saúde para construção do futuro desejado”. Em sua palestra, afirmou que “não sabemos o que fazer com os idosos, tampouco com as pessoas portadoras de deficiência”.

Tendo algumas vertentes como principais desafios do futuro da saúde brasileira, Vecina afirma ser indispensável repensarmos o modelo de cuidado para introduzir as questões relacionadas à terminalidade da vida, cuidados paliativos e atenção às doenças crônicas. “Nós, gestores, temos muita responsabilidade nisso e teremos que discutir o uso de recursos que sempre serão escassos”.

Abraçando a tecnologia como um ponto de vantagem, o especialista afirma ser preciso mais eficiência tanto na incorporação de inovações tecnológicas quanto na gestão como um todo. “Temos de rever a equação rapidamente para que possamos reajustá-la. Para isso, o gestor precisa estar altamente conectado ao seu mundo para que seja capaz de enxergar sua complexidade e reagir às suas necessidades”, completou.

“Desenvolvendo pessoas com motivação e liderança”, “O futuro das organizações e a gestão de pessoas”, “O novo paradigma do cuidar e do ser cuidado”, e “Saúde digital” também foram temáticas das conferências da Clínica de Administradores. Quem participou do evento também pode acompanhar as apresentações de caso “Os desafios do executivo e empreendedor nos hospitais e serviços de saúde”, ministrado por Valdir Ventura, CEO do Hospital São Cristóvão; e “A mensagem da saúde: conteúdo e imagem como opção estratégica”, tema apresentado por Gilmara Espino e Camilla Covello, sócias-diretoras da GPeS Estratégia em Comunicação.

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