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Holanda e Brasil buscam parcerias nas áreas de diagnóstico, envelhecimento e segurança do paciente

Ministra da Saúde Edith Schippers diz que Holanda e Brasil podem atuar juntos em áreas como envelhecimento saudável, tecnologia da informação, imagiologia, pesquisa de células-tronco e oncologia. E anuncia participação especial de empresas holandesas na Hospitalar 2017.

Edith Schippers Ministra da Saude da HolandaEdith Schippers - Ministra da Saúde da Holanda.Holanda e Brasil estão protagonizando uma série de iniciativas de aproximação no setor de saúde, explorando áreas de possível cooperação tecnológica, científica e comercial. A Holanda, que sempre se destacou por iniciativas sociais ousadas, ligadas aos direitos humanos e individuais, empreendeu, há pouco mais de uma década, uma reforma em seu sistema de saúde, voltada para a melhoria da eficiência econômica, sem prescindir de direitos de acesso, qualidade e segurança para a população. Além disso, vem inovando no desenvolvimento de modelos de cuidados à população idosa, utilizando ambientes protegidos com o maior grau de autonomia possível.

As melhores experiências holandesas nas áreas de segurança do paciente e envelhecimento saudável serão apresentadas em São Paulo, durante o CISS – Congresso Internacional de Serviços de Saúde, evento que a Hospitalar realizará junto à 24ª edição de sua Feira e Fórum, em maio próximo.

Antecipando-se a essa participação, a Ministra da Saúde, Bem-Estar e Esporte da Holanda, Edith Schippers, falou com exclusividade ao site hospitalar.com sobre as ações já em andamento entre os dois países e apontou as áreas do envelhecimento saudável, tecnologia da informação e comunicação em saúde, imagiologia, pesquisa de células-tronco e oncologia, como a que têm alto potencial de colaboração.

Quais são as iniciativas na área de saúde já em desenvolvimento entre Holanda e o Brasil?

Edith Schippers – Estamos ainda em uma fase exploratória, tentando estabelecer um programa que abranja os tópicos com o maior valor agregado para ambos os países. Mas já temos fatos concretos, como a parceria público-privada entre a RBD – Rede Brasileira de Diagnóstico e o estado da Bahia. A Philips Healthcare do Brasil é uma das três empresas que compõem a RBD, além da Alliar e da FIDI. O projeto criará 12 centros de diagnóstico e imagem em todo o estado, com um investimento total de R$ 1 bilhão. Este projeto é a primeira parceria público-privada de diagnósticos do Brasil.

Além disso, diversos centros médicos universitários da Holanda e do Brasil já mantêm parcerias de longa data, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade de Groningen. Em 2010 foi criado um programa de “doutorado sanduíche” para o departamento de medicina nuclear de ambas as universidades, no qual os estudantes permanecem dois anos em uma universidade e dois anos na outra. A Universidade de Groningen também possui parcerias com a Unifesp e a PUC-RS. Este ano a FAPESP aprovou um programa de colaboração internacional entre a Universidade Erasmus de Roterdã e a Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, sobre níveis de dor da doença de Parkinson, e entre a Erasmus e a Universidade Nove de Julho, sobre imunologia.

O que está sendo feito para acelerar esta aproximação e cooperação?

Edith Schippers – Em junho passado organizamos uma visita de 15 líderes da saúde de São Paulo à Holanda, incluindo representantes dos maiores hospitais do estado, de universidades e de empresas. A viagem visou explorar possibilidades de cooperação entre os dois países não só em pesquisa e inovação, mas também no ramo dos negócios. Além disso, para criar uma sinergia ainda maior no curto prazo, teremos uma importante participação de empresas holandeses na próxima feira Hospitalar, em São Paulo (16 a 19 de maio/2017), trazendo também startups holandeses e especialistas em saúde para proferir conferências.

Em que áreas essa sinergia poderá gerar resultados mais rapidamente?

Edith Schippers – Acreditamos que na questão do envelhecimento saudável poderemos ter uma ótima conexão entre os dois países. A população da Holanda passa por um forte processo de envelhecimento desde a década de 1970, e espera-se que ela atinja seu pico somente em 2042. Temos, portanto, uma significativa experiência na área. O processo de envelhecimento populacional no Brasil começou mais recentemente, mas tem sido uma pauta bastante importante. Temos convicção de que a troca de experiências beneficiarão ambas as partes. No mês de outubro, dois professores holandeses, um da faculdade de medicina da Universidade de Maastricht e outro da faculdade de medicina da Universidade Leiden, foram palestrantes no simpósio “Fronteiras do Envelhecimento”, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Eles falaram sobre a experiência holandesa no fortalecimento da autonomia dos indivíduos em uma sociedade em processo de envelhecimento e sobre os desafios da longevidade. Em novembro, outro especialista holandês, diretor do Leiden Center of Data Science, estará em São Paulo, para falar sobre “Medicina do Amanha”, mais uma vez em cooperação com o Hospital Einstein. Ao mesmo tempo, a faculdade de medicina da Universidade Leiden, em parceria com o Hospital Albert Einstein, está trabalhando em um programa de envelhecimento saudável sobre nutrição, para descobrir como os idosos podem eles mesmos manter seu metabolismo saudável. Um grupo de idosos holandeses que andarão de bicicleta e um grupo de idosos brasileiros que praticarão Tai Chi Chuan serão monitorados. Este é sem dúvida um aspecto essencial para tornar sustentável o futuro do cuidado com a saúde.

Quais são as principais ferramentas hoje para garantir maior autonomia aos idosos?

Edith Schippers – Domótica, robótica e eHealth são as palavras do momento. As pessoas já podem utilizar sistemas de monitoramento em casa ou se comunicar com seus médicos por chamada de vídeo. É o caso da prestadora de serviços de saúde domiciliar SenSire, que oferece aos idosos acesso 24 horas aos seus cuidadores, via tablet. Com essa abordagem, as pessoas se sentem mais seguras em casa e têm mais autoconfiança para viver de maneira independente. Além disso, diversas instituições que cuidam de idosos estão experimentando robôs para ajudar a fazer com que as pessoas interajam ou para auxiliar em exercícios físicos e jogos. Há supermercados acessíveis a pessoas com demência, onde os funcionários são treinados para reconhecer e ajudar os portadores da doença. É importante que as ferramentas certas estejam acessíveis para todos, com base na situação e nas necessidades específicas. E mais importante ainda é que a sociedade aprenda a forma de lidar com parentes, amigos e vizinhos com demência, Parkinson e outras doenças graves.

A segurança do paciente é uma grande preocupação no sistema de saúde brasileiro. O que de mais inovador tem sido feito pela Holanda nessa área? E como a alta tecnologia pode contribuir para ampliar os cuidados com o paciente?

Edith Schippers – A chave para a segurança do paciente não está basicamente na alta tecnologia, mas no modo como diferentes profissionais trabalham em conjunto durante o procedimento hospitalar, e no uso de possibilidades tecnológicas de forma correta e responsável. Na Holanda, os hospitais são obrigados a implementar o “Sistema de Gestão de Segurança”, que é utilizado para monitorar e sinalizar riscos, bem como para melhorar e avaliar a política de segurança do paciente. As três principais áreas do Sistema de Gestão de Segurança são: prevenção de infecções e resistência antibacteriana, segurança de medicamentos e uso seguro de tecnologia médica. Os hospitais têm adotado diretrizes para a adoção e o uso adequado de novas tecnologias médicas. Eles também compartilham conhecimento sobre prevenção de infecções com os funcionários, pois as pessoas que trabalham com tecnologia e com pacientes todos os dias são a chave para uma melhor segurança do paciente. Portanto, a alta tecnologia definitivamente pode melhorar a segurança do paciente ao reduzir riscos como erros cirúrgicos, porém é melhorando os processos do dia a dia, e às vezes implementando medidas muito simples, que se contribui bastante para a qualidade do cuidado com a saúde.

Esse compartilhamento de informações incluiu também os pacientes?

Edith Schippers – Trabalhamos duro para compartilhar informações sobre saúde e para ter acesso às informações corretas, no momento certo, no local certo, e de forma segura. Os pacientes devem ter acesso aos seus registros médicos e a todos os dados de saúde a qualquer momento, bem como decidir quem pode ver ou editar parte de seus dados. Todos nós somos proprietários dos nossos próprios dados, gerentes da nossa própria saúde. Acredito que essa abordagem – combinar os dados de saúde e deixar os pacientes administrá-los para garantir que estejam atualizados – é uma grande contribuição para a qualidade do cuidado e da segurança do paciente. Se todas as informações sobre medicamentos, tanto os prescritos quanto os isentos de prescrição, forem conhecidas e compartilhadas com médicos e farmácias, contraindicações e possíveis efeitos colaterais podem ser mais bem sinalizados. As vantagens são ainda maiores se essas informações forem combinadas com padrões alimentares ou informações sobre o metabolismo dos medicamentos, por exemplo. No Centro Médico da Universidade Erasmus, o departamento de farmacogenética pode disponibilizar aos médicos e pacientes os chamados passaportes de DNA: um cartão do tamanho de um cartão de crédito que mostra as informações sobre a expressão genética das principais enzimas do fígado no metabolismo de medicamentos. Assim, a dosagem dos medicamentos, principalmente aqueles que causam efeitos colaterais graves, como os antidepressivos, pode ser otimizada para o metabolismo de cada paciente.

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