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Aquecimento Hospitalar começa com debate intenso sobre open health

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Primeiro dia do evento digital que antecede a feira física reuniu especialistas em uma conversa de peso sobre open health, RNDS e os impactos do uso integrado de dados na saúde

Conversas importantes e atuais sobre Open Health e RNDS (Rede Nacional de Dados de Saúde) foram o tema central do primeiro dia de Aquecimento Hospitalar - o evento digital que precede a feira física. O encontro marca a abertura de uma semana intensa de conteúdos, com temas que devem ser aprofundados nos congressos da Hospitalar 2022. O Aquecimento acontece de modo 100% remoto, dentro da plataforma Hospitalar Hub, e é gratuito - cadastre-se para conferir a programação, que vai até 7 de abril. 

Sob curadoria de Guilherme Hummel, EMI Head Mentor e consultor científico de tecnologia na Hospitalar, os conteúdos do dia reuniram especialistas nacionais e internacionais para discussões e apresentações focadas no impacto dos dados e da interoperabilidade na saúde. “Os conteúdos de hoje vão abordar o conceito de Open Health e a Rede Nacional de Dados de Saúde, um assunto que deve continuar significativo para os próximos 10 anos no Brasil”,  comentou o especialista na abertura do evento. "Essa é uma ocasião importante para começarmos a pensar nessa discussão e nos prepararmos para o encontro presencial na Hospitalar, depois de dois anos", defendeu.

RNDS: o que esperar no SUS?

Abrindo a sequência de conteúdos, Merched Cheheb, Diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS​) foi o convidado do painel “Open Health & RNDS: o que vem pela frente no SUS?”. Comentando sobre a Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028, Cheheb dividiu um pouco sobre os projetos em andamento para a digitalização do setor no país. Na visão do Diretor, a evolução e a continuidade da RNDS é, hoje, uma das grandes missões do Ministério de Saúde. “Temos vários exemplos internacionais de países que estão mais avançados do que o Brasil em open health, mas demos um grande salto de 2019 para cá, principalmente em 2020”, comentou. 

“Nossa intenção é que a RNDS seja um lago de dados, um grande repositório com várias frentes, que reúna e integre todos os dados de saúde de cada cidadão, tanto na rede pública quanto na particular”, explicou aos presentes. “Definimos para a rede vários protocolos, inclusive internacionais, para que o sistema permita não só a comunicação dos diversos agentes dentro do país quanto a nível internacional”, completou. A preocupação com a privacidade também aparece como protagonista na discussão, de acordo com Cheheb. “Temos a LGPD como alicerce, de modo que todo dado compartilhado seja criptografado e protegido, e que o cidadão tenha controle e acesso a todos os seus dados”, assegurou.  

Os desafios da implementação da RNDS também foram abordados na apresentação, que trouxe pontos de atenção como o desenvolvimento da interoperabiliade e o incentivo à cultura de compartilhamento entre os pares. “Estamos trabalhando e discutindo com os players para conseguir desenvolver e fortalecer o open health no Brasil”, concluiu. O diretor do DATASUS também respondeu a uma pequena entrevista na plataforma Hospitalar Hub, discutindo os resultados esperados a médio e longo prazo e a possibilidade de um registro eletrônico de saúde mandatório no País.

Visão internacional dos ecossistemas de saúde aberta 

Convidado internacional do dia, o professor Mark Boyd, consultor e diretor da Platformable apresentou um pouco sobre sua visão da Open Health e sobre os modelos de construção para um sistema seguro e sustentável para a saúde aberta. Dividindo exemplos de sistemas e APIs ao redor do mundo, o especialista listou desafios e oportunidades que o setor de saúde enfrenta quando falamos de open health. 

Traçando um paralelo interessante entre open banking e open health, Boyd apontou que a legislação que guia essas áreas encontra momentos diferentes no Brasil e no mundo. “Uma das grandes diferenças quando falamos dos Estados Unidos, por exemplo, é que eles não têm um sistema forte e regulado de open banking e fintechs, como vemos no Brasil e na Europa. E acontece exatamente o contrário quando falamos de open health, já que nos EUA essa questão já está evoluída e bem estabelecida, de um modo que ainda não observamos no Brasil”, comentou. 

Reforçando a importância de implantar ecossistemas digitais de saúde, o professor apontou os benefícios que uma estratégia como essa pode trazer. “Estamos trabalhando nesse desenvolvimento porque a saúde é uma área complexa - vimos isso muito claramente com a Covid”, disse. Para ele, a criação desses sistemas impacta diretamente na geração de valor para toda a cadeia, agregando as vantagens que o compartilhamento de dados traz e otimizando os sistemas como um todo. “Isso também incentiva um engajamento maior de público e profissionais, gerando também oportunidades financeiramente viáveis de inovação entre startups”, concluiu. 

RNDS e a saúde suplementar: painel de debates fecha a noite

Encerrando os conteúdos do dia focado em tecnologia da informação, um painel de especialistas colocou a RNDS e os impactos na saúde suplementar em debate. Jacson Barros (Amazon Web Service - AWS),  Claudio Maia (Awxay) e Luis Gustavo Kiatake (SBIS​) participaram da mesa redonda virtual, sob moderação de Guilherme Hummel. Discutindo o cenário atual e as necessidades futuras do sistema, opiniões diversas ganharam espaço, levando a insights e um diagnóstico sobre a rede nacional de saúde e as possibilidades trazidas pelo Open Health. 

“Quando comparamos o Open Health com o Open Banking ou o Open Insurance, é bem claro que existe uma complexidade muito maior para a implementação desse conceito na saúde”, apontou Maia. “A rede nacional de saúde precisa mesmo ser a primeira etapa e por isso, esse é um momento ainda muito focado na esfera do governo. Ainda precisamos passar por algumas fases até que isso chegue na saúde suplementar, ainda vamos precisar de alguns passos”, completou. Para o especialista em OpenEverything, a experiência de outros setores pode ajudar a nortear a transformação na saúde. “O open banking enfrentou um momento de ruptura cultural, quando o setor compreendeu que o movimento de abertura traria mais vantagens que ameaças; acredito que o setor de saúde vá passar por algo similar. A parte mais importante, nos dois cenários, é termos sempre em mente que o cliente - ou, nesse caso, o paciente - precisa estar em primeiro lugar”, defendeu. 

Para Barros, a questão é complexa e vai além da tecnologia. “Nossa intenção é utilizar os dados abertos para ampliar o acesso da população à saúde, seja na atenção primária ou na especializada. Mas precisamos nos lembrar que os dados já existem - não importa se é na saúde pública ou suplementar, o cidadão está interagindo com toda a cadeia, transitando por esses agentes e gerando dados ao longo de toda a sua vida”, destacou. “O grande erro que vamos precisar corrigir é parar de separar os sistemas. A questão não é a tecnologia, mas a cultura. Os desafios da open health passam pela falta de confiança entre os players e pelo não compartilhamento de dados entre os agentes. Precisamos passar a confiar nos sistemas e nos múltiplos níveis de assistência”, defendeu. 

Kiatake reforçou a necessidade da mudança cultural, mas destacou as dificuldades técnicas características do contexto nacional. “No Brasil, enfrentamos um momento de falta de mão de obra especializada no setor de programação e gestão de dados - essa não é uma questão necessariamente da saúde, mas afeta diretamente a implantação de sistemas abertos”, comentou. Além disso, o presidente da SBIS comentou também o impacto do legado atual da saúde. “Lidamos com sistemas de saúde e bases de dados muito extensas e muito antigas, e, por isso, qualquer movimento que envolva essas informações leva tempo e gera uma complexidade maior para os projetos. Claro que temos startups que conseguem absorver mais rapidamente as tecnologias, mas não podemos contar apenas com isso - precisamos que as empresas que estão no mercado há mais tempo também se adaptem e participem desse movimento”, disse. “Mesmo se colocarmos toda essa máquina que é a saúde suplementar e colocá-la para resolver imediatamente a questão da open health, ainda assim não vai existir mão de obra qualificada para executar os projetos. A falta de programadores e especialistas em dados é um déficit muito significativo para a saúde e que não vai ser resolvido em dois anos”, concordou Hummel. 

A discussão também reforçou as necessidades do sistema como um todo e a arquitetura de dados necessária para garantir a segurança dos dados e estratégias para garantir a cibersegurança na implantação do open health. O conteúdo completo do painel pode ser revisto na plataforma, sob demanda.

Conteúdo sob demanda e feira Hospitalar

Todas as discussões foram gravadas e estarão disponíveis na íntegra dentro da Hospitalar Hub. O Aquecimento Hospitalar acontece até o dia 7 de abril e a programação completa pode ser consultada na plataforma

O credenciamento para visitar presencialmente a feira Hospitalar 2022, no São Paulo Expo, também está aberto. Acesse o site do evento para se cadastrar e acompanhar as novidades e os conteúdos previstos para os congressos, cursos e arenas. Utilize o cupom AQUECI20 para obter desconto de 20% nos cursos e congressos.

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