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Webinar da ONA reúne especialistas para discutir sobre os desafios e as inovações na Telemedicina

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O futuro da Telemedicina

O evento on-line, realizado no dia 16 de março no canal da Organização Nacional de Acreditação (ONA) no Youtube, trouxe renomados especialistas para debater acerca da aplicabilidade da Telemedicina atualmente, como os estabelecimentos de saúde estão acompanhando a rápida transformação tecnológica e o que esperar para o futuro. Como mediadores, o webinar registrou a presença de Péricles Góes da Cruz, superintendente técnico da ONA, e Fernando Pedro, diretor médico da Amil e conselheiro da ONA.

A Telemedicina teve seu boom e regulamentação após o início da pandemia do coronavírus, já que, devido às medidas de isolamento vigentes, os pacientes se viram desassistidos, principalmente aqueles que não apresentavam casos agudos e os que precisavam do retorno à consulta. Diante desse cenário inovador, a grande maioria dos serviços de saúde precisou implementar tecnologias para tornar possível o cuidado remoto, enquanto startups de Tecnologia da Informação (TI) visualizavam oportunidades na área da saúde com o desenvolvimento e a aplicabilidade desses recursos.

Camila Botti, médica especializada em Informática em Saúde e gerente de Telemedicina, Inovação Tecnológica e Informações Clínicas da Amil, contextualizou sobre a Telemedicina na primeira parte do evento. “A Telemedicina veio para ficar. E ela reforçou alguns princípios importantes no sistema de saúde. Um deles é a coordenação de cuidado e monitoramento, que foi empoderada na Medicina em momentos especiais: no pós-alta ou no pós-parto, por exemplo, onde o paciente está em casa se recuperando e tem dificuldade para ir até o consultório fazer a consulta. Outro princípio importante foi a questão da longitudinalidade, que é o cuidado por um mesmo profissional e equipe ao longo do tempo. Se você está internado ou viajando, consegue ter uma consulta com o seu profissional de referência, o que antes era impossível.” 

A gerente de Telemedicina também trouxe a visão da Amil durante esse processo. “A gente tinha dúvida se o paciente saberia usar as ferramentas iniciais, se iria gostar, se a consulta seria efetiva, e vimos que houve adesão. Na Amil, no primeiro mês, fizemos 60 mil consultas via Telemedicina. No segundo, 130 mil. Hoje, fazemos mais de 4 mil por dia. Falando em Telemedicina de urgência, só na Amil já foram mais de 1 milhão e 200 mil consultas, e o que a gente tem visto é que mais de 90% delas de fato evitam uma ida ao pronto-socorro. Houve, também, diminuição de 13% na taxa de conversão, ou seja, das pessoas que seriam atendidas em um pronto-socorro e seriam internadas.”

De um lado, Camila trouxe o olhar de dentro de uma grande operadora. De outro, temos diversos estabelecimentos de saúde que precisaram se reinventar para disponibilizar aos pacientes o cuidado remoto. Pensando nisso, a ONA criou uma subseção de Telemedicina na versão 2022 do Manual para Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde (OPSS), com requisitos básicos que toda empresa atuante na área precisa cumprir para fornecer um serviço de qualidade. 

Salvador Gullo Neto, médico especializado em Gestão de Serviços de Saúde com pós-doutorado em Segurança do Paciente, participou do processo de revisão do Manual e sinalizou que, por ser um tema tão novo, a subseção foi criada do zero. Além disso, os pesquisadores identificaram a falta de detalhamento da telemedicina como um desafio para a construção do texto. “A Telemedicina afetou todo mundo: hospitais de pequeno e de médio portes, hospitais comunitários, clínicas, consultórios e até um segmento da saúde que não estava previsto – as startups, gente que, muitas vezes, não era do segmento da saúde (era da área de TI) e que viu a oportunidade para criar essas plataformas. Imagina a gente ter que prover todos esses itens (prontuário, segurança de dados), uma série de requisitos a serem colocados dentro do Manual para seguir alguns padrões de qualidade. Além disso, outro desafio era a regulamentação da Telemedicina, que funcionava em caráter excepcional.” 

Pensando na segurança do paciente, vemos que os processos da Telemedicina precisam ser profissionalizados. “A Acreditação em Telemedicina da ONA vai ajudar muito a gente na questão da segurança do cuidado com o paciente. Em um teleatendimento, eu vou fazer o que é possível com as ferramentas disponíveis e com as informações que eu tenho naquela hora. Além disso, é nossa responsabilidade manter o sigilo médico e sempre ter o registro clínico dos atendimentos prestados a todos os pacientes”, explica Camila. 

O Prof. Dr. Chao L Wen, chefe da disciplina de Telemedicina da FMUSP, explana que precisamos delimitar as funções do médico na Telemedicina. “É irracional colocar a responsabilidade sobre os processos tecnológicos nos médicos ou em suas secretárias. A segurança do processo não é função dele, partindo do princípio de que o médico não é nenhum desenvolvedor tecnológico e não pode ficar responsável pela segurança, pelo não vazamento de dados. O médico não tem direito de ser imprudente. Se eu vou escolher uma plataforma, eu tenho que ter critérios para checar, pedir documentação, verificar se tem segurança, se tem equipe de firewall. Mas não tenho que tomar conta disso, senão a Telemedicina não é usável. Eu contrato o serviço e devo cobrar por isso.”

Justamente por ser uma área que precisa de profissionais de diversos segmentos para funcionar, Fernando Pedro, moderador do evento e conselheiro da ONA, frisa a importância do Manual. “É uma situação em que todos, hoje, que fazem Telemedicina, precisam realmente ter um escritório de qualidade para garantir que a gente tenha uma ferramenta não só de acesso, mas, principalmente, segura. O propósito é que seja mais uma ferramenta para garantir qualidade e segurança para todos: médico, paciente e assim por diante. Podemos visualizar o quanto o Manual é necessário.”

O futuro da Telemedicina

A Telemedicina não vai substituir a Medicina, mas, sim, desenvolver e implementar uma Medicina muito mais ampla. Devemos saber usá-la a nosso favor para conseguir reduzir desperdício e aumentar o acesso da população ao cuidado remoto. Luciano Eifler, CEO da ConceptMed, afirma que existem muitos desafios a serem vencidos para que a gente consiga utilizar essa tecnologia de forma madura e ressalta a importância desse recurso para conectar a alta e a baixa complexidades, levando especialistas e a expertise de médicos aos quatro cantos do Brasil, sendo o nosso país de proporções continentais.

A Medicina do futuro não pode ser construída sob caos. A profissionalização do processo é urgente, como sinalizou o Prof. Chao Wen. “Sem uma certificação de Acreditação, teremos dificuldade de convergir todo mundo numa linha de trabalho em conjunto. Parabéns à ONA por levantar a bandeira de que mesmo a inovação só se torna efetiva quando nós temos uma linha em que todo mundo possa seguir e trabalhar em equipe”, finalizou o docente.
 

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