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Diretora-executiva da Abramed, Priscilla Franklim Martins, afirma que a Hospitalar é a oportunidade de apresentar iniciativas inspiradoras

A visão da direta-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Priscila Franklim Martins, sobre incorporação tecnológica e uso de procedimentos de alta tecnologia para o período de 2020.

A diretora-executiva da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), Priscilla Franklim Martins, conversou com a Hospitalar sobre o futuro do setor da saúde. Ela acredita que muitas mudanças vão acontecer no setor, mesmo que em ritmo lento, uma vez que o país se recupera de um período complicado da economia.

Ela ainda comenta que o Brasil ainda tem que investir em incorporação tecnológica e uso de procedimentos de alta tecnologia. “O primeiro passo deve ser em infraestrutura, para as inovações poderem chegar na ponta, com acesso mais fácil no desfecho do paciente, que deve estar sempre no centro dessas decisões,” ressaltou.

Priscilla também evidenciou que a Abramed trabalha para estimular o mercado e que a Hospitalar é uma forte aliada neste trabalho. “É a oportunidade de apresentar iniciativas inspiradoras para o debate com múltiplas perspectivas do setor, com especialistas para abordar como os segmentos da cadeia de saúde podem contribuir na resolução de conflitos”, disse.

Confira a entrevista na íntegra:

Hospitalar: Quais as tendências do setor de saúde para 2020?
Priscilla Franklim: O segmento manteve o ritmo de expansão mesmo diante da perda de dinamismo da atividade econômica e do arrefecimento do mercado de trabalho, beneficiando-se, em maior escala, pelo aumento do número de beneficiários de planos de assistência médica entre os anos de 2003 e 2008. Agora, nós temos uma perspectiva de mudança, mesmo que lenta, com crescimento econômico e maior empregabilidade. Certamente com menos pessoas dependendo do SUS, a rede privada de serviços, de planos de saúde, pode se organizar melhor. Esse é um ponto positivo para o Brasil. Mas ainda há a necessidade de avanços estruturais. O país está atrasado quando falamos em incorporação tecnológica e uso de procedimentos de alta tecnologia. O primeiro passo deve ser em infraestrutura, para as inovações poderem chegar na ponta, com acesso mais fácil, no desfecho do paciente, que deve estar sempre no centro dessas decisões.

Outra melhoria importante – e necessária – é a mudança de foco da assistência, que deve passar a priorizar a promoção de saúde e prevenção de doenças, ao invés do tratamento. Desde o ano de 2004, a ANS tem estimulado as operadoras na incorporação progressiva de ações de promoção de saúde e prevenção de riscos e doenças, por meio de programas que possuem um conjunto de estratégias e ações que objetivam a promoção da saúde e a melhoria da qualidade de vida dos beneficiários. Dessa forma, pretende-se uma alteração no papel dos atores da saúde suplementar, na qual as operadoras se tornam gestoras de saúde.

Paralelamente a isso, é preciso garantir o investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Com a evolução da inteligência artificial, por exemplo, o sistema de saúde ganha em otimização de recursos, contribuindo para busca pela sustentabilidade do setor; o paciente ganha com a garantia de resultados mais assertivos dos seus exames de diagnóstico; e o Brasil ganha em eficiência e reconhecimento por oferecer, de forma universal e indiscriminada, uma saúde de qualidade a todos os seus cidadãos.

Toda atenção também para Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor agosto de 2020. No nosso setor, as empresas brasileiras precisam ter investido tempo e recursos para modificar a forma como lidam com os dados pessoais, tanto de pacientes quanto de colaboradores. Com tantas dúvidas e interpretações possíveis geradas pelo texto da legislação, os desafios são enormes, inclusive para a adaptação de novos sistemas. A mudança é necessária, pois todos nós estaremos sujeitos às penalidades pesadas, que acarretarão ainda mais prejuízos a um sistema já instável.

 

H: Qual a relação da reforma da previdência - reforma tributária e o impacto que pode ter no setor da saúde?
PF:
A Abramed  apoia a reforma tributária, desde que não haja aumento de encargo tributário, e informou isso ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), em audiência realizada em Brasília, no dia 4 de dezembro, quando apresentou o estudo preliminar realizado pelo departamento de inteligência setorial da Associação, que mostra a carga tributária na medicina diagnóstica com as propostas de emendas à Constituição (PECs) da Câmara dos Deputados (PEC n° 45) e do Senado Federal (PEC n° 110).

O estudo da Abramed demonstra que a arrecadação federal referente somente às atividades de atenção à saúde cresceu 172% entre 2011 e 2018, enquanto o valor total arrecadado em todos os setores da economia teve aumento de 47% no mesmo período. Ao isolar a medicina diagnóstica, a carga tributária prevista deve aumentar mais de 70%, segundo análise da Abramed.

A Abramed alerta que da maneira que estão sendo encaminhadas as propostas para a reforma tributária, os resultados serão o encolhimento do setor e redução de empregabilidade. O setor da saúde promove mais de 250 mil empregos diretos e isso vai ser reduzido se as PECs tramitarem como estão hoje.

Os potenciais efeitos drásticos da reforma tributária com as PECs 45 e 110 uniram as entidades da saúde, que estão trabalhando juntas na análise dos impactos da reforma em toda a cadeia da saúde. Em setembro do ano passado, os presidentes da Abramed, Abramge, Anahp, CNSaúde, FenaSaúde, FBH, Unidas e Unimed foram recebidos pelos relatores de ambas as PECs, para apresentarem os impactos em seus respectivos setores.

Além disso, Abramed e Anahp criaram um grupo de trabalho para melhor entender os impactos da reforma tributária para os prestadores de serviços de saúde - hospitais e laboratórios.

Os números relativos às contas da Previdência Social mostraram quão urgente era uma reforma no sistema. O déficit previdenciário projetado para 2019 é de R$ 218 bilhões, com a arrecadação estimada em R$ 419,8 bilhões e a despesa total com os benefícios atingindo R$ 637,9 bilhões, segundo a Lei Orçamentária Anual deste ano, divulgada pelo Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Diante desses números, é inegável que o sistema dava sinais de que se nada fosse feito, haveria uma crise ainda maior nas contas do país e no governo.

Com a reforma, existe a esperança de reativação da atividade econômica. Na área pública, espera-se gastar menos e arrecadar mais com a melhora da economia. Na saúde privada, a melhoria do ambiente econômico proporcionaria a volta dos beneficiários que saíram do sistema na crise. Acreditamos que gastando menos com a Previdência, vai se gastar mais com ações diretas na área de saúde, saneamento e infraestrutura.

 

H: Poderia falar sobre a parceria e o crescimento da feira nos últimos anos? O que espera da Hospitalar para 2020?
PF: A Abramed tem como um de seus principais objetivos estimular as boas práticas do mercado, a favor do interesse de toda a cadeia: prestadores, operadoras e pacientes. O Brasil vive um momento em que estão sendo retomados os padrões éticos e morais na sociedade brasileira. Diversas empresas, em diferentes setores, estão criando políticas de compliance para se adequarem a essa nova realidade brasileira. E a Abramed está trabalhando fortemente para contribuir com uma medicina mais ética, mais racional no uso de recursos, mais sustentável, com mais qualidade e maior credibilidade, e estar presente em um ambiente como a Hospitalar é importante para a nossa associação. Para que as boas práticas sejam disseminadas é preciso que os setores público e privado atuem juntos. É chegada a hora de nos inspirarmos em ações que possam diminuir os custos. Quando olhamos o setor de diagnóstico e seu papel frente à sociedade, percebemos que há muitas possibilidades de colaboração. A Hospitalar é a oportunidade de apresentar iniciativas inspiradoras para o debate com múltiplas perspectivas do setor, com especialistas para abordar como os segmentos da cadeia de saúde podem contribuir na resolução de conflitos. A Abramed segue engajada em promover uma mudança de cultura estimulando ainda mais as boas práticas no setor e os compromissos públicos na relação da entidade com todos segmentos da saúde.

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