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O papel da Engenharia Clínica no enfrentamento da pandemia foi debatido na Digital Journey

No dia 18 de maio, a comunidade de Engenharia Clínica discutiu como a gestão de tecnologias de saúde que proporcionam melhoria nos cuidados ao paciente se fez essencial durante a maior crise sanitária do século.

A Digital Journey by Hospitalar acontece entre os dias 4 e 20 de maio. O encontro ganha grande alcance por ser de forma 100% online. Nessas três semanas, a jornada de conhecimento tem trazido conteúdos especializados para cada comunidade do setor de saúde. Conta também com uma plataforma que disponibiliza experiências de networking para oportunidades de negócios.

No dia 18 de maio, a comunidade de Engenharia Clínica discutiu como a gestão de tecnologias de saúde que proporcionam melhoria nos cuidados ao paciente se fez essencial durante a maior crise sanitária do século.

A programação completa do dia 18 e dos encontros das demais comunidades da saúde  está disponível na plataforma da Digital Journey by Hospitalar [1]. Para acessar, basta realizar a inscrição gratuita aqui [2].

Confira alguns destaques.

A implantação de hospitais de campanha: o papel da engenharia clínica

Na primeira palestra da noite, que teve início às 18h05, Ryan Ferreira, engenheiro eletricista, especializado em Engenharia Clínica no Centro Médico de Engenharia Biomédica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e voluntário da ONG Expedicionários da Saúde, falou sobre o papel da Engenharia Clínica na implantação de hospitais de campanha.

Para Ryan, a atuação da Engenharia Clínica no enfrentamento da pandemia do coronavírus consiste na especificação de equipamentos; na procura por equipamentos e insumos em um mercado escasso; na avaliação de tecnologias, qualificando equipamentos com registro temporário e sem histórico e protótipos e soluções nunca utilizadas; na manutenção corretiva e preventiva; e no gerenciamento de risco. “Novas soluções exigem novos controles”, afirmou.

Ryan trabalha na ONG Expedicionários da Saúde, que tem como objetivo facilitar o acesso para populações indígenas a um atendimento médico, especialmente cirúrgico, de alta qualidade, por meio de um Complexo Hospitalar Móvel transportado e montado em regiões de difícil alcance na floresta.

Através dessa expertise foi possível pensar na estratégia para a montagem de um Hospital de Campanha que atendesse COVID-19. A equipe é formada por profissionais de Engenharia Clínica e Hospitalar, de Enfermagem, médicos intensivistas, fisioterapeutas e arquitetos. “Foi necessário definir como seriam os leitos para esse tipo de hospital porque dependendo da demanda, os hospitais de campanha são pensados de maneiras diferentes. Por exemplo, em casos de terremoto ou outros desastres”, frisou.

O profissional esclareceu que hospitais de campanha devem ter funcionalidade, a infraestrutura existente precisa ser avaliada e há necessidade de salas extras, além de uma Central de Material e Esterilização (CME), lavanderias, farmácias, refeitórios, equipamentos, insumos e recursos humanos.

“Na UNICAMP foi preciso fazer um local para internar pacientes semicríticos que não precisam de ventiladores para que possamos dar conta.”, explicou Ryan. O Hospital de Campanha na UNICAMP funcionou como um "buffer'' de pacientes graves, ou seja, os pacientes quase graves estavam lá, mas a partir do momento que a sua situação piorava eram colocados na ambulância e encaminhados para a UTI.

Ryan ainda contou sobre o projeto SOS Povos da Floresta, que criou 262 enfermarias de campanha (mais simples, porém capazes de atender os indígenas) com 1.310 concentradores de oxigênio, 200 cilindros de oxigênio, mais de 10 mil kits com medicamentos e suprimentos hospitalares, 170 geradores de energia e 20 rádios com painéis solares.

Assista a toda a palestra no site da Digital Journey by Hospitalar. [1] Basta se inscrever, gratuitamente, para acessá-lo.

Industry Talks: Indicadores de Performance da Indústria para Suporte à Engenharia Clínica

No segundo evento da noite, Giancarlo Pallini, Diretor Regional da Advanced Sterilization Products (ASP), explicou que os processos de Engenharia Clínica são norteados por indicadores, já que “aquilo que não se pode medir, não se pode melhorar”. A citação é de William Thomson, físico bretão do século XIX.

Giancarlo apresentou os Indicadores de Performance da Indústria para Suporte à Engenharia Clínica utilizados pela ASP:

  • Manutenção preventiva: importante ter em conta toda a manutenção preventiva de equipamentos que é feita de uma maneira planejada (além de não atrasar, entender quais são as partes envolvidas no processo).
  • Reincidência: porcentagem de manutenção corretiva onde foi feita visita prévia (30, 60 e 90 dias) e o mesmo problema persiste. Analisar quão efetiva está a qualidade da mão de obra e entender se os profissionais não precisam de mais treinamento.
  • Reparo no mesmo dia: quanto menos tempo o equipamento ficar inoperante, melhor para a organização.
  • Tempo de fechamento da ordem de serviço: porcentagem de ordens de serviços encerradas em 24 horas.
  • Tempo de resposta “remoto”: porcentagem de chamados com atendimento remoto realizado em até duas horas (exceção nos fins de semana).
  • Tempo de resolução: mostra o que se pode fazer para melhorar a performance.
  • Tempo de resposta “on site”: porcentagem de chamados que requer uma manutenção corretiva e o atendimento ocorre em dois ou menos dias úteis.

De acordo com Pallini, através desees indicadores é possível se preparar para garantir melhor atendimento à população.

Painel de Debate: A Engenharia Clínica no combate à COVID-19

Em mais um encontro on line, Mariana Brandão, Pesquisadora do Instituto de Engenharia Biomédica da Universidade Federal de Santa Catarina (IEB- UFSC) na área de Gestão de Tecnologias em Saúde, mediou o debate sobre Engenharia Clínica no combate à Covid-19.

O primeiro a falar foi Alfredo Corniali, Sanitarista da Diretoria de Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. "É importante colocar que tivemos novas demandas que foram geradas por falta de organização do sistema de saúde como um todo”, afirmou.

Para Corniali, todo o processo durante a pandemia foi de adaptação e a Engenharia Clínica teve que trabalhar com empresas e organizações do governo a fim de realizar uma manutenção rápida para que fosse possível atender a demanda da população.

O processo consistiu em buscar alternativas para máscaras, faceshields, traqueias de ventiladores e trabalhar no desenvolvimento de ventiladores alternativos. Além disso, trabalhar também outros sistemas de proteção como cabines de isolamento,  novos métodos de esterilização, adaptação dos hospitais, dos sistemas de ventilação e esterilização e do cuidado das pessoas e dos trabalhadores.

“Nossa função é fazer a articulação da tecnologia que transcenda o interior da organização para oferecer uma condição segura ao paciente e a todas a as outras pessoas envolvidas no setor de saúde”, explicou o sanitarista.

O segundo a falar foi Alexandre Soares, Supervisor de Engenharia Clínica da ORBIS. Alexandre destacou a importância do debate devido à visão de cenários de cada palestrante e enfatizou a questão logística. “Foi necessário desenvolver habilidades de logística, que não é uma habilidade comum dentro do espectro de funções de um Engenheiro Clínico.”

Na região Norte, área de atuação de Soares, houve problemas de fornecimento de eletricidade e reabastecimento. “A Engenharia Clínica teve de ir além do esperado para conseguir entender a logística necessária e trazer os insumos necessários nos prazos que entendemos como seguros para atender aos pacientes com COVID-19”, acrescentou.

Outro ponto importante é a assistência na parte de capacitação e treinamento da mão de obra. Principalmente porque aqui no Brasil, explicou Soares, muitos profissionais jovens tiveram que ir à linha de frente no combate ao vírus.

As dificuldades enfrentadas na região Norte pela Engenharia Clínica foram importantes para compreender a melhor maneira de agir ao enfrentar problemas e como os esforços devem ser focados na garantia de insumos, dada a contingência da pandemia. “Isso tudo nos ensinou muito, tanto para lidar com o presente, quanto com o futuro”, afirmou Soares, antes de passar a palavra.

O terceiro debatedor foi Carlos Augusto Matoso Pereira, Engenheiro Clínico da Associação Dr. Bartholomeu Tacchini, do Rio Grande do Sul. Ele explicou que, inicialmente, organizou-se um grupo onde a engenharia clínica se responsabilizou pela gerência de infraestrutura para fazer um plano de ação de enfrentamento da pandemia.

As principais medidas consistiram na antecipação de algumas ações preventivas, após análise do que ocorria na Europa. Houve a percepção da grande necessidade de ventiladores e monitores; de realizar um upgrade e adaptação de equipamentos que eram de unidades pediátricas para as unidades universais e de revitalizar ventiladores muito antigos. "Deve-se também ressaltar o papel da Engenharia Clínica na infraestrutura como um todo, pois é necessário ter rede de gases, oxigênio, energia e outros mencionados anteriormente”, concluiu Carlos.

A quarta e última participante do debate foi Sheila de Moraes, Engenheira Clínica do Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal no Hospital de Base. Sheila enfatizou a importância do trabalho do Engenheiro Clínico, cujas funções só foram bem difundidas no momento da pandemia.

A profissional relembrou das condições de trabalho sob pressão enfrentadas pelas equipes técnicas de Engenheiros Clínicos nesse período pandêmico, mas que isso era inevitável porque a luta era, e é, sempre pela vida e pela segurança do paciente.

As ações foram similares às dos demais debatedores, como ressuscitação de equipamentos velhos e adequação dos já disponíveis. “É fundamental ressaltar que toda equipe técnica, assim como a grande maioria dos profissionais de saúde, trabalhou incansavelmente para melhor atender as pessoas e por isso ficaram abalados e esgotados.”, disse Sheila.

O debate completo da noite do dia 18 de maio está disponível no site da Digital Journey by Hospitalar. [1] Inscreva-se gratuitamente e aproveite!