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Presidente do Einstein sugere reavaliação em 15 dias

A sugestão é refletir, com líderes e executivos do mercado de saúde, sobre as medidas de isolamento social para decisões futuras.

Durante webinar ocorrido na última segunda-feira, 24 de março, em que participaram líderes e executivos do mercado de saúde, Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, afirmou que em duas semanas será necessário refletir novamente sobre as medidas de isolamento social porque diariamente há dados novos a respeito da pandemia. “Vamos raciocinar com base no número de casos e na ocupação de nosso sistema de saúde, que tem se ampliado com hospitais de campanha e medidas como a produção de quase 300 respiradores por dia, ação recém-divulgada pelo Ministério da Saúde.”

A conferência online reuniu, além de Klajner, Leandro Reis, vice-presidente da Rede D’Or; Romeu Côrtes Domingues, presidente da Dasa; e Henrique Salvador, presidente da rede mineira de hospitais Mater Dei. Sob o tema Impacto Social, Produtivo e Econômico da Pandemia do Covid-19 no Brasil, os profissionais fizeram suas considerações. A mediação coube a Rubens Furlanetti, sócio da XP Investimentos, empresa organizadora do evento que reuniu online um público de 3 mil pessoas.

Quarentena

Houve unanimidade quanto à prioridade de isolamento social neste momento, porque a estrutura de saúde precisa se preparar para a demanda que surgirá se o Brasil apresentar curva de transmissão similar à da Europa ou Ásia. 

Uma das dificuldades apontadas pelos palestrantes para o controle da contaminação é o fato de que 86% dos casos são assintomáticos; ou seja, é extremamente difícil saber quem possui o covid-19. Sem a possibilidade de rastreamento, a saída é o confinamento geral, pelo menos inicialmente. 

Os países asiáticos foram lembrados como possuidores de uma robusta estrutura tecnológica, o que permitiu à China e Coreia do Sul rastrear as pessoas contaminadas via smartphone. Na Coreia do Sul, apenas 35% dos portadores do vírus não foram rastreados.

Na opinião de Romeu Domingues, se o Brasil conseguir fazer o teste rápido (IgG/IgM) em grande escala, num cenário ideal, como o exemplo da Coreia, será possível saber quem já foi infectado e haverá segurança para deixar o isolamento social.

Klajner revelou que se a quarentena não fosse promulgada pelo governador João Doria, haveria risco de estouro da capacidade do sistema Einstein, tanto no setor privado quanto nos dois hospitais públicos que a instituição coordena, próximo aos dias 15 e 16 de abril. “Prevemos a necessidade de aumentar 260 leitos de UTI”. 

Impacto econômico

Henrique Salvador enfatizou que a conjuntura deve ser analisada também sob o aspecto dos danos econômicos. “Em um segundo momento, acho que será necessário segmentar a população de menor risco e a de maior risco para a retomada da atividade econômica”, opinou o médico da rede mineira Mater Dei. Temos dois pacientes para acompanhar: portador do covid-19 e o nosso país”, acrescentou Salvador.

A dúvida da plateia a respeito do período necessário de confinamento até a pandemia arrefecer foi respondida com reticências. O que se sabe hoje? Apenas que são tempos de incertezas e que tomadas de decisão dependem do comportamento da doença. “Vários aspectos são levados em conta para o shut down, inclusive se o tiro para matar a doença não mata o paciente, então, em 15 dias refletiremos se o confinamento tem efeito deletério”, disse Klajner. 

De acordo com Leandro Reis, há propostas defendidas sobretudo por grupos ingleses que indicam que a contaminação de cerca de 60% da população causaria a morte de uma parte, mas a sobrevivência da maioria. “Acredito que isso seja darwiniano, jogar fora mais de 100 anos de ciência séria e deixar os mais frágeis à própria sorte implicaria um entendimento ético e moral”, falou o vice-presidente da Rede D’Or. “Em um grau extremo, talvez tenhamos que enfrentar essa situação, mas creio que essa questão será amplamente debatida.”

Exames 

Romeu Domingues explicou que hoje o exame que detecta o covid-19 tem sido feito apenas nos hospitais e em pessoas sintomáticas. “Há um grande esforço da iniciativa privada e do governo para importarmos reagentes e máquinas a fim de ampliarmos o alcance do teste; esse seria o mundo ideal.” O executivo também afirmou que oito empresas já pediram autorização para a Anvisa para trazerem os testes rápidos ao país, o que contribuirá para os tratamentos. Ele esclareceu ainda que a tomografia de pulmão é mais uma ferramenta usada para apontar possíveis contaminações.

O hospital Albert Einstein, por sua vez, possui um laboratório próprio, onde foi detectado o primeiro caso de covid-19 no Brasil, e hoje vê um cenário bem diferente do inicial. “O número de infectados aumenta diariamente; temos internados 80 casos suspeitos e mais de 50 confirmados, o que nos permite dizer que a quantidade de pacientes que necessitam de hospitalização cresce a cada dia”, disse Klajner. “Para salvar vidas, a UTI e a ventilação mecânicas são fundamentais”, completou o médico. O Brasil tem o quarto maior número de UTIs por habitante; no entanto, a maior parte concentra-se no setor privado.

Telemedicina

Com relação à telemedicina, os profissionais compartilham a visão de que não substitui a consulta presencial, no entanto, particularmente neste período, é uma ferramenta que contribui para orientar a população e evitar que se dirija a hospitais. “Na Prevent Senior, a telemedicina conseguiu reduziu em 90% a ida de idosos ao pronto-socorro”, contou Domingues. 

O grupo de debatedores apontou que a resolução sobre telemedicina foi publicada agora apenas em caráter temporário e que o país carece de legislação definitiva sobre o tema.

Drogas disponíveis

Em mais uma abordagem da plateia virtual, surgiu a questão da efetividade das drogas no combate ao covid-19 “Existe enorme desconforto da classe médica em prescrever tratamento off label, mas, diante do ineditismo dos fatos, medidas urgentes precisam ser tomadas”, explicou Reis. “No caso de medicamentos, médico e paciente, ou a família dele, podem decidir se utilizam drogas em protocolo de pesquisa ou como prática assistencial compassiva.” 

A respeito da aplicação da cloroquina associada ou não à azitromicina, as notícias são promissoras. “Começamos um estudo extremamente complexo, desenhado em tempo recorde, que espero nos dê resposta científica suficiente para lidarmos com nossos pacientes e talvez servirmos de modelo para o mundo”, revelou Klajner. 

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