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Telemedicina 3D: holograma do paciente dentro do ambulatório médico

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Holomedicina excede o atendimento remoto

Enquanto os serviços de Telemedicina avançam de forma logarítmica, a remotelização não dá sinais de fadiga ou fastio. A próxima geração de consultas-médicas-remotas’ ganhará novos eixos com a incorporação das plataformas de Extended Reality (XR), que agrupa: Virtual Reality (VR), Augmented Reality (AR) e Mixed Reality (MR). ‘Realidade Estendida’ é um neologismo genérico que descreve as tecnologias imersivas que podem fundir o mundo físico com o mundo virtual. No home-office, por exemplo, XR já pode “alocar” numa sala de escritório profissionais situados em qualquer parte do mundo, de modo que todos percebam estar dentro do mesmo ambiente. Dispositivos vestíveis de XR (headsets) permitem essa experiência estendida, que a pandemia agora impele para dentro da Cadeia de Saúde. Combinada com sensores e biossensores, a fusão da Telemedicina Aplicada e XR está gerando aplicações (3D Telepresence) que ampliam sobremaneira as possibilidades de os médicos proverem diagnóstico à distância, que ainda é o maior desafio da consulta ambulatorial remota.

Os ambientes-3D gerados por computador permitem ao usuário interagir com ambientes artificiais, emulando os contatos físicos presenciais. A suspenção dos atendimentos médicos devido a pandemia não poderá ser compensada somente com a telemedicina bidimensional (2D)’, principalmente no caso das patologias crônicas. Pacientes com Parkinson, por exemplo, correm risco porque médicos têm grande dificuldade de compreender os sintomas motores numa tela 2D. Nesse sentido, várias iniciativas estão se somando ao atendimento-remoto, como o projeto liderado por pesquisadores da Juntendo University School of Medicine, no Japão, publicado em setembro último (“Holomedicine: Proof of the Concept of Interactive ThreeDimensional Telemedicine”). Trata-se de um sistema tridimensional online apoiado pela Novartis Pharma Grant, que utiliza scanner de movimento ("Kinect v2") e um kit “hololens" para reproduzir os movimentos. Do lado do paciente, o sistema captura a sua forma e envia uma imagem digitalizada em 3D para o médico (wireless). Do lado do médico, o sistema recebe a imagem e a reproduz holograficamente (3D). Assim, os médicos podem ver os pacientes na frente deles como se estivessem compartilhando a mesma sala. Um vídeo mostra o que ambos os lados percebem.

A holomedicina nada mais é do que uma Telemedicina 3D interativa e baseada em hologramas. Várias empresas e Centros de Atendimento remoto já estão utilizando kits holográficos de Mixed Reality (hololens), tentando melhorar a relação médico-paciente durante uma teleconsulta clínica.  A combinação de AR e MR pode viabilizar uma imagem tridimensional que permite ao médico executar várias práticas adicionais ao seu teletrabalho ambulatorial. Antes da Covid-19, a maioria das aplicações médicas em ambientes-3D estava centrada no treinamento educacional e em algumas poucas práticas que requerem devices holográficos (o mais conhecido: HoloLens, da Microsoft). Como a pandemia tornou a consulta-virtual em algo rotineiro, as aplicações em ‘holomedicina’ (3D Telepresence) estão pegando carona nesse comboio digital. O principal diferencial da estrutura holomedica é a possibilidade de holoportação, quando um médico (ou paciente) localizado em um determinado local pode estar “presente como um holograma” em outro.

Ocorre que os ‘devices holográficos’ ainda são caros e pouco acessíveis. Mas a Covid-19 (novamente) impulsiona as inovações: em 30 de novembro último, a empresa britânica Holoxica anunciou em Edimburgo (Escócia) a entrada na fase final de testes de um “sistema holomédico voltado aos profissionais de saúde que não precisa de devices holográficos vestíveis” (primeiro no mundo). Nas palavras de Wendy Lamin, diretora da empresa: “O coronavírus mostrou que as consultas remotas são uma necessidade, mas o futuro da saúde não pode depender de chamadas de vídeo impessoais. A Telemedicina 3D proporcionará aos pacientes e médicos uma experiência real 'face a face', estejam eles em sua residência, num Centro de Saúde ou em uma clínica ambulatorial. A holomedicina trará mais clareza e compreensão ao atendimento remoto, melhorando a satisfação do paciente. O sistema já conta com apoio das equipes do NHS”. A suíte “Holo-medicine” da Holoxica permite um ‘encontro holográfico’ entre paciente e médico sem a necessidade dos kits hololens. O pacote combina (1) uma câmera de profundidade, (2) um display 3D e (3) um sistema de inteligência artificial (software proprietário da empresa). O projeto é totalmente financiado pelo governo britânico através da UK Research and Innovation, e embora ainda navegue em águas experimentais já mostra o que vem pela frente.

Centenas de novas aplicações em Telemedicina 3D vão entrar no mercado nos próximos meses e anos, mas o ‘santo-graal’ estará naquelas que incidem diretamente na comunicação e relacionamento de médicos e pacientes, ou destes com a Cadeia de Saúde. O George Washington University Hospital, por exemplo, admitiu seu primeiro paciente Covid-19 em março, sendo que os médicos recorreram à realidade virtual (VR) para entender melhor o que a doença estava fazendo nos pulmões do paciente. Um software VR e o device Oculus (originalmente desenvolvido para games) eram usualmente utilizados no hospital para dar aos pacientes uma representação visual de suas próprias condições. Todavia, com o coronavírus os líderes do George Washington perceberam uma oportunidade para usar as ferramentas na obtenção de uma melhor compreensão da doença, ampliando também o relacionamento com os familiares do paciente.

A realidade aumentada (AR) difere da realidade virtual (VR), pois esta cria um mundo 3D que desassocia completamente o usuário da realidade. Já em AR os usuários não perdem o contato com a existência real. Essa característica distinta mostra porque AR será uma força propulsora nas aplicações sanitárias em 3D Telepresence. A plataforma EnvisionHome, por exemplo, ajuda famílias a “visitar” seus parentes internados pela Covid-19. Na outra ponta, a empresa XRHealth se destaca como uma clínica totalmente baseada em realidade extendida. Centrada em consultas remotas, a XRHealth avalia a demanda do paciente e se for pertinente insere um plano de tratamento em XR, enviando os dispositivos ao paciente. A pandemia fez a clínica centrar suas atenções em fisioterapia, gestão de stress e reabilitação pós Covid-19. Ainda é cedo para identificar os ganhos reais, mas é inegável que os Sistemas de Saúde precisarão cada vez mais suportar os pacientes de forma remota. Médicos do Imperial College Healthcare NHS Trust, por exemplo, usam o kit Microsoft HoloLens enquanto trabalham na linha de frente da Covid-19. As equipes de saúde verificam quais procedimentos e práticas estão sendo utilizadas enquanto permanecem a uma distância segura. Já a OxfordVR, empresa parceira do NHS, ganhou o prêmio 2020 Best Mental Health Immersive Technology por suas soluções de XR para aliviar sintomas de transtornos mentais, que são tratados residencialmente e com permanente contato remoto com as equipes médicas. Certamente que no radar de todos está o salto descomunal que as redes 5G proporcionarão a Telemedicina 3D.

Um dos aspectos mais interessantes das plataformas de Extended Reality é a sua ampla vocação pedagógica. São imbatíveis as imagens dinâmicas em 3D dos órgãos humanos quando ‘passeiam no espaço’ à frente do médico. Pós pandemia, estaremos diante de um brutal desafio: reduzir o analfabetismo sanitário da população e ampliar as práticas de autocuidado (“healthcare literacy”). Os meses da Covid-19 e de isolamento social mostraram que só sobreviveremos como civilização se aceitarmos com determinação o autocuidado. Não adianta somente transferir as responsabilidades para terceiros (cadeia de saúde), o corpo é nosso. O autocuidado é a única maneira neste século de minimizarmos os efeitos dos cataclismas epidêmicos. Para isso, o paciente precisa de orientação, educação e informação sobre a forma como deve lidar com seu corpo & mente. Parte desse estímulo deverá vir dos profissionais de saúde, que estão na linha frente da ‘alfabetização sanitária’ do paciente. A nova geração de plataformas de teleconsulta será 3D, estimulada pela holomedicina (XR), com dispositivos de avaliação diagnóstica e com capacidade ilustrativa para que médicos ensinem os pacientes a se ‘autocuidar’. Não é uma opção, mas o único caminho. Fora disso não precisaremos de uma epidemia para dizimar quinhões populacionais, qualquer “gripezinha” será realmente suficiente para extinguir legiões.

 

Guilherme S. Hummel

Coordenador Científico – HIMSS Hospitalar Forum

eHealth Mentor Institute (EMI) - Head Mentor

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