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Desospitalização: Hospital Moinhos de Vento aposta em equipe para garantir transição segura entre hospital e domicílio

O setor de Saúde, nos últimos anos, tem passado por importantes mudanças para melhorar a experiência do paciente e, principalmente, tonar-se sustentável. Isso porque, segundo constatou a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), o custo médico-hospitalar aumentou 89,4% de 2013 para 2017.

O setor de Saúde, nos últimos anos, tem passado por importantes mudanças para melhorar a experiência do paciente e, principalmente, tonar-se sustentável. Isso porque, segundo constatou a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), o custo médico-hospitalar aumentou 89,4% de 2013 para 2017. Além disso, no mesmo período, o valor da cobertura assistencial disparou de R$ 3.107,58 por pessoa a cada ano para R$ 5.855,78. Nesse sentido, o questionamento do modelo e da cultura hospitalocêntricos é um caminho natural, sobretudo devido à possibilidade cada vez mais palpável, em boa parte dos casos, de retirar o paciente do ambiente hospitalar para dar continuidade aos cuidados e tratamentos em sua própria casa ou em hospitais de transição ou de cuidados paliativos.

Segundo Yussif Ali Mere Jr., presidente do Sindicato e da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SINDHOSP e FEHOESP), até 2050, um em cada três brasileiros estará na chamada terceira idade. Além disso, a grande população de doentes crônicos – que tende a crescer cada vez mais – já mostra ao sistema de saúde brasileiro a necessidade de transferir a assistência para fora do ambiente hospitalar. “Nesse novo contexto epidemiológico, há necessidade urgente de se rever e discutir o modelo hospitalocêntrico e encontrar saídas inovadoras que garantam a qualidade do atendimento, a segurança do paciente, a redução de custos para o sistema de saúde e o uso de leitos para casos graves e de maior complexidade”, explica o presidente.

Lisangela Preissler e Juliana Oss, respectivamente, médica e assistente social membros do Time de Apoio e Planejamento de Alta do Hospital Moinhos de Vento, ainda acrescentam que essa não é apenas uma questão de desonerar operadoras de saúde com os custos da hospitalização ou de aumentar o giro de leitos das instituições hospitalares. Mas sim de priorizar a atenção centrada no paciente, e de oferecer a ele as melhores condições para enfrentamento da doença. As especialistas reiteram que, por vezes, ficar longe do hospital – e cercado de familiares e amigos – é a melhor maneira de conviver com a adversidade do cuidado crônico.

A aposta do Hospital Moinhos de Vento

A instituição gaúcha foi uma das pioneiras no processo de desospitalização no Brasil. Com a criação, em 2013, do Time de Planejamento de Alta, o Hospital visa garantir o bom andamento da transição entre hospital e domicílio. Além disso, o Moinhos também desenvolveu uma ferramenta que permite que o médico acione essa equipe no momento em que achar necessário, solicitando ajuda em processos que possam proporcionar a alta hospitalar mais segura ou até mesmo antecipá-la.

“O investimento no desenvolvimento do Time veio da necessidade de trabalhar a cultura – médica e familiar – da questão hospitalocêntrica e de otimizar o fluxo de leitos, priorizando internações em unidades especializadas com equipes treinadas. Também para permitir a individualização da atenção e a construção do melhor modelo para desospitalizar, considerando as necessidades de cada paciente no pós-alta”, explica Preissler.

A equipe multidisciplinar é formada por uma assistente social e duas médicas e conta com suporte da Gerência de Enfermagem e Gerência de Operações. O grupo auxilia na identificação de pacientes com risco de longa permanência na unidade e trabalha a situação com as equipes médicas, os enfermos e suas famílias. “Após a implantação dessa ferramenta, há pouco mais de um ano, temos sido acionados por mais vezes e mais precocemente, deixando claro o entendimento e a proximidade que as equipes médicas vêm desenvolvendo com esse modelo. O hospital também viu as taxas de tempo médio de permanência dos pacientes nas unidades de internação caírem. No ano passado, a média era de 10 dias. De janeiro a março deste ano, esse tempo foi reduzido para 8,5 dias”, pontua Oss.

O Time tem participação ativa junto ao trabalho nas unidades de internação, protagonizando rounds multidisciplinares em unidades especializadas. Nestes, além de treinarem as equipes para o cuidado centrado no paciente, identificam situações médicas e sociais de risco para maior permanência a fim de realizar um trabalho preventivo, antes mesmo de formalmente acionados pela ferramenta assistencial.

“É fundamental que possamos mostrar aos pacientes e seus familiares que eles não estão sozinhos durante a doença, e que é possível enfrentá-la com suporte e qualidade de vida. Julgamos que essa é a ideia maior por trás da desospitalização, além da óbvia questão de que o tratamento e a recuperação são processos contínuos – por vezes, prolongados – e que não se restringem ao período em que o paciente se encontra no hospital. É preciso enxergar além da internação e manter pacientes e familiares o mais próximos de suas rotinas durante a sua recuperação”, reflete Preissler.

O que dizem os especialistas

Entender e estruturar de maneira correta e segura o movimento da desospitalização é de extrema importância, afirma Heleno Costa Jr., assessor da Superintendência do Consórcio Brasileiro de Acreditação, associado da Joint Commission International no país. “Desospitalizar não significa antecipar etapas necessárias de tratamento, mas sim, mediante devido planejamento, possibilitar que leitos hospitalares sejam apropriada e devidamente utilizados, considerando aspectos e elementos de natureza assistencial, de recursos materiais e equipamentos, bem como de cunho financeiro”, explica ele.

Dentre os principais benefícios da desospitalização segura, o Ali Mere Jr. destaca o bem-estar do paciente de não estar num ambiente de cuidados intensivos, que traz muitos ganhos ao quadro de recuperação e dá condições melhores de locomoção. Além disso, também a presença contínua dos familiares, que faz a diferença, e os ganhos econômicos e de recursos, o foco em resultados e a melhoria do sistema como um todo. “É importante dizer que a desospitalização deveria começar já no processo de admissão. Traçar um plano para que aquele paciente fique o menor tempo possível internado faz toda a diferença para a eficiência de seu tratamento. E isso, em si, já é um ganho imenso para todos”, reitera ele.

Apesar dos ganhos, tanto Ali Mere Jr. quanto Costa Jr. pontuam que as iniciativas no Brasil no sentido da desospitalização ainda se mostram incipientes. “A desospitalização depende muito da educação e do apoio das famílias, que precisam de infraestrutura para receber de volta o paciente em casa. Com isso, temos um agravante social, uma vez que muitas famílias não possuem condições socioeconômicas para desempenhar esta função. Além disso, a questão também passa pela mudança de cultura dos profissionais de saúde, dentro e fora dos hospitais”, declara o presidente do SINDHOSP e FEHOESP.

Costa Jr. finaliza dizendo que a frequente procura dos usurários pelo atendimento hospitalar também é, na maioria das vezes, resultado da ineficiente atenção que deveria ser oferecida em nível primário. Segundo o assessor, é nesse patamar que as doenças crônicas e de base deveriam ser tratadas, evitando-se, assim, que as condições se agravem e os pacientes busquem o hospital para tratamento de qualquer natureza.

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