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Obesidade: doença silenciosa que precisa de atenção

11 de outubro é o dia mundial do combate ao problema que cada vez mais apresenta índices alarmantes de danos à população

obesidadeO mundo enfrenta uma epidemia crescente de obesidade e diabetes, doenças que costumam andar juntas, mas que somente sozinhas provocam um grande prejuízo à saúde de milhões de pessoas. O mesmo desafio é encarado pelo Brasil, segundo país em número decirurgiasbariátricase metabólicas, com mais de 90 mil procedimentos a cada ano. A Organização Mundial de Saúde projeta que em 2025 serão cerca de 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e mais de 700 milhões de obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões caso medidas efetivas não sejam adotadas.

No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que em 2015 aproximadamente 82 milhões de brasileiros apresentaram sobrep

eso ou obesidade. Os dados mostram que ações de prevenção devem ser colocadas em prática para o combate à doença, por isso o dia 11 de outubro foi instituído como oficial para chamar a atenção para o problema que prevalece mais nas mulheres (58,2%) que nos homens (55,6%). As estatísticas agravantes no país traduzem a urgência de se pensar em políticas públicas adequadas para a prevenção e o tratamento do sobrepeso e da obesidade.

A obesidade é uma condição médica na qual se verifica acumulação de tecido adiposo em excesso a ponto de poder ter impacto negativo na saúde, o que leva à redução da esperança de vida e/ou ao aumento dos problemas de saúde. Uma pessoa é considerada obesa quando o seu IMC (índice de massa corporal) é superior a 30 kg/m2.

Um dos tratamentos para a obesidade é acirurgia bariátrica, que é indicada para casos de obesidade grau II e III. Entretanto, para saber se é possível a realização dacirurgia, é necessário verificar fatores de risco e consultar um especialista. De acordo com a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), a cirurgia não tem indicação como tratamento estético e sim para melhora de doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão, dislipidemia, apneia do sono e doenças ortopédicas severas, além da promoção de qualidade de vida aos pacientes.

“A evolução dos equipamentos e materiais utilizados nas cirurgias tornou os procedimentos mais rápidos, seguros e com tempo menor de recuperação, mas tudo isso pode ser prejudicado se o paciente não tiver boa preparação clínica antes da cirurgia. É fundamental fazer uma análise rigorosa das condições de saúde do paciente, qualificação do cirurgião, estrutura hospitalar, técnica utilizada, além do acompanhamento multidisciplinar”, ressaltou Dr. Almino Ramos, Presidente da SBCBM.

Diabetes

Estudos e pesquisas científicas nacionais e internacionais revelam que a intervenção cirúrgica é uma opção real e efetiva para controlar o diabetes. Além da cirurgia bariátrica, a cirurgia metabólica é uma das formas de controle dessa doença crônica e progressiva. Tecnicamente são similares, porém a segunda tem o objetivo principal de tratar e controlar os componentes da Síndrome Metabólica, que tem como características a hiperglicemia e resistência insulínica. “O tratamento do diabetes começa pela adoção de novos hábitos de vida, como reeducação alimentar e prática de atividade física combinada com medicamentos. Além da terapia clínica convencional, os diabéticos também contam com um aliado na luta contra a doença, que é a cirurgia bariátrica e metabólica”, comentou o Dr. Josemberg Campos, presidente da SBCBM.

Um dos estudos, realizado pelo National Institute for Health Research, do Reino Unido, e publicado na revista Lancet Diabetes & Endocrinology, avaliou o efeito da cirurgia bariátrica no desenvolvimento de diabetes tipo 2 em indivíduos operados e numa população de indivíduos obesos. O resultado apontou que a cirurgia bariátrica reduz em 80% o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2 nos operados.

Outro levantamento publicado pela Lancet e conduzido pelo King’s College London e pela Università Cattolica de Roma, comparou os resultados em longo prazo do tratamento clínico e do cirúrgico do diabetes. Em cinco anos não houve mortalidade nem complicações, sendo que 50% do grupo cirúrgico tiveram e mantiveram a remissão da diabetes, contra nenhum dos pacientes submetidos ao tratamento convencional. “Atualmente, há mais de 14 milhões de brasileiros sobrevivendo com o diabetes. Somos o quarto país no ranking mundial dessa doença. Desses 14 milhões, 76% estão mal controlados pelas terapias clínicas. Muitas vezes o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações”, pontuou Dr. Ricardo Cohen, coordenador do Centro de Obesidade e Diabetes, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

“O Brasil vem aumentando o número de pesquisas nos últimos anos, e temos uma sociedade médica científica sólida e bastante atuante. Estamos entre os líderes mundiais nos procedimentos bariátricos e somos pioneiros nos procedimentos metabólicos, progredindo em termos de qualidade e volume”, complementou Cohen.

Redução de comorbidades

Um amplo conjunto de estudos científicos atesta que acirurgiabariátricae metabólica reduz as comorbidades em níveis significativos: diabetes (70-80%), hipertensão arterial (65%), distúrbios respiratórios (80%), artrose (85%), dislipidemia (70%), incontinência urinária (95%), irregularidade menstrual (99%), disfunção cardíaca, riscos cardiovasculares, cegueira, amputação, diálises e outras doenças crônicas associadas.

Em relação àscirurgiasbariátricas, o Brasil fica atrás apenas dos Estados Unidos, que realizam quase 180 mil procedimentos por ano (dados de 2013). Neste país, onde um em cada três indivíduos é obeso, o Center for Disease Control and Prevention registra um gasto médico com a obesidade na faixa dos US$ 147 bilhões por ano.

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