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UTI aumenta chance de morte e readmissão em até 3 anos pós-alta, aponta estudo do Sírio-Libanês

Ao analisar dados de pacientes que estiveram UTIs do (SUS) em dez capitais brasileiras, um estudo realizado pelo grupo de pesquisadores de UTI do Hospital Sírio-Libanês e coordenado por Luciano Azevedo, médico pesquisador da instituição, apontou um dado alarmante.

Ao analisar dados de pacientes que estiveram em Unidades de Terapia Intensivas (UTIs) do Sistema Único de Saúde (SUS) em dez capitais brasileiras, um estudo realizado pelo grupo de pesquisadores de UTI do Hospital Sírio-Libanês e coordenado por Luciano Azevedo, médico pesquisador da instituição, apontou um dado alarmante. Segundo a pesquisa, os pacientes admitidos em UTIs têm maior risco de morte e readmissão hospitalar em até três anos após a alta. Publicado na revista científica Intensive Care Medicine, o artigo considerou esse risco a partir da comparação com doentes que estiveram internados em hospitais, mas sem passagem pela UTI.

Para realizar a pesquisa, o grupo fez um pedido ao Ministério da Saúde (MS) para ter acesso às bases de dados do SUS. Com a permissão do órgão público, foram avaliados 324.594 pacientes, dos quais 108.302 tiveram passagem pela UTI e 216.292 não passaram pela Unidade. Os resultados indicaram que os pacientes internados em UTI tiveram maiores tempo de permanência hospitalar e mortalidade quando comparados àqueles que não estiveram em UTI. Considerando esse fato, o estudo alerta para o cuidado com pacientes críticos que passaram pela Unidade –que, de maneira geral, recebem o mesmo acompanhamento pós-alta do que os internados no hospital sem passar pela UTI.

“Antigamente nos preocupávamos mais em deixar vivo o paciente que passava pela UTI. Porém, não nos atentávamos ao período pós-alta hospitalar. Quando ele deixava a instituição, não realizávamos um acompanhamento a longo prazo desse paciente. Então, começamos a ver – por experiência clínica e estudos publicados em outros países – que os pacientes com passagem pela Unidade precisam de maior acompanhamento médico. Um exemplo são as políticas de reabilitação mais precoce, as quais devem facilitar sua recuperação e agilizar seu retorno às atividades cotidianas”, explica Azevedo.

Segundo o pesquisador, apesar de o estudo ter sido feito com informações do sistema público de saúde, os resultados apontam que os pacientes de quaisquer UTIs, incluindo as de instituições privadas de saúde, podem apresentar os mesmos comportamentos. “Usamos a base de dados do SUS porque, assim, teríamos acesso a informações de pacientes de todo o país. No entanto, as conclusões do artigo não são exclusivas para o sistema público. Acreditamos que essas são características da doença grave e, por isso, merecem mais atenção, independentemente do sistema em que os pacientes estão sendo atendidos”, reitera ele.

Para Azevedo, boa parte dos profissionais e administradores de saúde do país não têm consciência das complicações pós-UTI. Por isso, ele afirma que é preciso propagar os resultados do estudo e também a literatura relacionada à qualidade de vida e ao cuidado com o paciente de UTI depois da alta hospitalar. Ele ainda sugere ações junto ao Ministério da Saúde e à Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), por exemplo, para que a reabilitação precoce e o acompanhamento mais próximo virem políticas de saúde.

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